A indústria fonográfica se merece
17 Novembro 2009
Acabei de ler esta semana O Culto do Amador, do Andrew Keen. Ele defende ardorosamente os empregos que a indústria da música gera, a cadeia produtiva de distribuição e o sistema de distribuição de royalties. Tenho vários pontos de vistas discordantes, mas deixo-os para a resenha do livro, que termino esta semana.
Porém um fato me fez consolidar minhas convicções de que a indústria da música envelheceu, definhou e caminha convictamente para um abismo. Ontem à noite fiquei muito mais decepcionado com a indústria da música do que já estava antes.
Sempre fui comprador de CD’s e continuo gostando de ter a música em formato de CD, para algumas bandas que gosto muito. A qualidade do MP3 é ruim, então ainda prefiro CD’s.
Quando capotei o carro, um dos CD’s que se perdeu foi o Sacred Fire – Live In South America, do Santana. Semana passada fiz um pedido de vários itens no Submarino e resolvi recomprar este CD do Santana.
Ao recebê-lo, duas coisas me decepcionaram:
1) O CD veio numa embalagem porca, chamada pela Universal Music de “ecopac“. Não é um Digipak, aquelas embalagens feitas de papel de qualidade, com alta qualidade gráfica. O tal ecopac é um papelão de baixa qualidade, com impressão de baixa definição (quase borrada) e o suporte do CD é um tipo de isopor de alta densidade. Quando vi a embalagem, me deu vontade de devolver o CD. Me arrependi da compra. Talvez não compre mais CD’s online sem ter certeza de que a embalagem é decente.
Fiz uma busca rápida no Google e descobri vários sites divulgando o ecopac, reproduzindo um press-release da Universal Music. Não me convenceu. O apelo ecológico da embalagem não cola. Não compro um CD com a intenção de reciclá-lo, nem me preocupa que a embalagem seja biodegradável, o grande apelo do ecopac. Quando um CD risca, eu jogo o encarte no cesto de reciclagem de papel e o plástico no cesto de plástico. Simples.
Para mim, fica parecendo uma tentativa de embarcar na onda do ecologicamente correto só porque é moda e – teoricamente – os consumidores mais sensíveis ao apelo ecológico tenderiam a considerar este diferencial.
Mas, por outro lado, mostra da parte da Universal um descolamento das reais necessidades do consumidor de música. Se fosse pra comprar um CD porco, me sairia mais barato baixar as MP3 em alta qualidade do iTunes.
2) A segunda decepção é que o Submarino anuncia o CD como importado, sendo que de fato ele é feito na Zona Franca de Manaus. O fato de ser ou não importado nem me faz diferença, sinceramente prefiro comprar produtos fabricados no Brasil. Mas o fato do site cadastrar um produto e entregar outro causa decepção.
Veja algumas fotos da embalagem ecopac:
Considerando que a Universal Music é um grande player da indústria da música e o Submarino é um grande distribuidor de formatos de consumo de música, ambos deveriam se preocupar mais com a percepção dos seus consumidores.
Andando neste caminho, a indústria da música continuará decrescendo. Mesmo numa economia de transformação mais lenta como o Brasil, onde ainda se consome muito formato físico e pouco formato puramente digital, a indústria parece não se importar com o que pensam seus clientes.
O futuro dirá quem tinha razão.
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A info-obesidade e os desafios da publicidade
11 Novembro 2009
O Michel Lent é um cara admirável. Além de sempre ter sido um dos expoentes da web brasileira, desde os tempos pré-bolha, o cara faz algumas das palestras mais concisas e inteligentes quando se fala em internet no Brasil.
Esta última, apresentada no Intercon, é imperdível:
Quanto vale o seu tempo?
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Livro SEO – Paulo Rodrigo Teixeira
3 Novembro 2009
Autor: Paulo Rodrigo Teixeira
Tempo Estimado de Leitura: 3,5 horas
Linguagem: Simples
Diagramação: Tradicional
Custo-Benefício: Bom
Páginas: 100
Lido em: out/2009
Onde encontrar: www.livroseo.com
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Antes de falar do livro SEO, é preciso reconhecer o pioneirismo e a coragem do Paulo ao produzir e lançar o livro. O blog do Paulo é referência no mercado brasileiro, além do curso de SEO, também pioneiro e que já formou várias turmas. O livro é mais um produto dos cursos do que uma iniciativa isolada.
O livro é totalmente independente, no modelo DIY (Do It Yourself) do começo ao fim. O Paulo escreveu, editou, imprimiu e vende o livro sozinho. Sem editor, sem editora, sem distribuidora.
Por um lado, tratando-se de um livro de conteúdo técnico, é uma medida que auxilia na rapidez de produção e publicação, mas por outro lado traz embutidos alguns riscos:
A qualidade da capa e da impressão estão dentro da média brasileira (que diga-se de passagem, é baixa). Editoras como a Jorge Zahar e a Sextante tem mais cuidado na escolha do papel, da capa, da tipografia. Mas as outras, de forma geral, reduzem custos nesta área. Apesar do livro SEO custar R$ 49,00, a impressão não é lá das melhores. Este preço é relativamente alto para o mercado editorial brasileiro, mas mais do que justo pelo conteúdo do livro.
Porém, o maior risco não vem do formato, mas sim do conteúdo. A falta de um editor (ou mesmo um revisor) se mostrou evidente nos inúmeros erros de digitação e alguns de concordância. Um livro produzido e revisado chega a ter de 3 a 4 erros, mas o livro SEO tem dezenas de erros de digitação. Isso não tira a validade da obra, mas depõe contra a qualidade do projeto com um todo.
Feitas estas duas ressalvas, agora vamos falar das qualidades!
O livro SEO é o livro técnico sobre Otimização de Sites do mercado em português mais focado que já li.
O SEO Bible é enorme, tem 400 páginas, mas poderia ser resumido em 100, como o livro SEO. O livro da Martha Gabriel é excelente também, mas não é focado só em SEO.
A vantagem do livro SEO sobre o SEO Bible é que o Paulo trata do mercado brasileiro, com exemplos locais e pensado para a realidade do profissional brasileiro.
O livro é muito atual, abrangente e organizado numa ordem lógica, que facilita a compreensão tanto de iniciantes quanto de iniciados. Para os intermediários, muita coisa servirá só de revisão, mas ainda sim vale o investimento. Só para quem já tem estrada é que o livro pode deixar a desejar. Não é um livro para experts e para quem tem mais de 1 ano de mercado, sem dúvida.
Se você quer ter em mãos um livro que sirva de guia rápido de consulta e possa ser usado para treinar novos profissionais na equipe de SEO, este é o livro!
Para comprar, é só acessar o site www.livroseo.com
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O conteúdo em texto importa na internet?
2 Novembro 2009
Este vídeo discute rapidamente como tratar o texto na web usando princípios de Usabilidade, Arquitetura de Informação e, de quebra, SEO:
Um bom site deve alinhar tanto quanto possível: boa usabilidade, boa arquitetura, bom marketing e bom SEO, tudo com foco no foco do usuário.
Só assim dá para sobreviver a usuários acostumados a julgar tudo em poucos segundos!
Esta semana sai um livro chamado “Você tem 5 segundos”, do Juan Camus. Vi o vídeo no site dele. O livro trata exatamente sobre como produzir texto para web, considerando as questões que o vídeo aborda. Por hora, sai só em espanhol…
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A história do Google em menos de 3 minutos
1 Novembro 2009
“Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas.”
Mário Quintana
O Juliano Spyer (@jasper) é um cara que eu não conheço pessoalmente, mas admiro muito.
O livro de papel dele – Conectado – é muito bom. Recentemente ele organizou um livro digital chamado Para Entender a Internet, igualmente supreendente.
Agora ele liberou no SlideShare uma apresentação refletindo sobre o processo de produção dos dois livros, muito válido para todos nós que planejam, idealizam ou apenas sonham um dia publicar um livro:
Dentre muitas mudanças sociais que a internet vem provocando, umas das que considero mais relevantes a longo prazo para a humanidade é a democratização do acesso à informação e à auto-construção do conhecimento, seja via redes de sites, de pessoas ou redes de interesses similares.
As fases da internet primitiva que vivemos nos anos 90, a bolha do milênio, a web 2.0, tudo isso vai ser apenas história daqui algumas décadas. Mas a informação democrática vai ficar. Acho que esta mensagem é um pouco do pensamento do Juliano por trás desta apresentação.
O Creative Commons está mudando o mundo!
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Did you know? – versão 4.0
16 Setembro 2009
Seria pedir demais que a nova versão da série de vídeos Did You Know? superasse a versão anterior. A XPlane tem o hábito de se superar, mas esta versão fugiu um pouco do foco das anteriores.
Sem perder o foco na interpretação criativa dos dados, o vídeo mostra o poder que a internet tem e como isso está mudando o mundo.
Esta versão foi produzida em parceria com a revista The Economist.
Veja nestes posts aqui no blog as versões anteriores dos vídeos:
» Shift Happens – Did You Know? (versão original)
» Vídeo “Did you know 3.0?” – Você sabia o quanto o mundo muda? (versão 3 – a melhor)
» A Revolução das Mídias Sociais (adaptação do Erik Qualman)
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O Melhor do Mundo – resenha do livro de Seth Godin
15 Setembro 2009
Autor: Seth Godin
Tempo Estimado de Leitura: 1,5 horas
Linguagem: Simples
Diagramação: Tradicional
Custo-Benefício: Muito bom
Páginas: 101
Editora: Sextante
Lido em: Mai/2009
Onde encontrar: Submarino![]()
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A cada livro o guru de marketing Seth Godin mostra que escrever sobre o óbvio com um ponto de vista ligeiramente diferente ou inusitado se tornou sua fórmula do sucesso.
No entanto, “O Melhor do Mundo” (The Dip, no título original em inglês) é talvez seu livro que menos fale diretamente sobre marketing. Dá para colocá-lo na seção de Auto-Ajuda numa boa.
O fato do livro ter sido editado pela Sextante contribui muito para isso. A Sextante vem se especializando em livros de auto-ajuda, “inspiracionais” e de “negócios”, tanto que comprou os direitos no Brasil de outro autor best-seller, Malcolm Gladwell.
O Melhor do Mundo é um livro bem curto, e isso é proposital. É um livro under-hundred, propositalmente com menos de 100 páginas. A linguagem é estupidamente fácil, letras grandes, ilustrações de Hugh Macleod, ou seja, todo o cenário pronto para um livro altamente vendedor.
Em termos de texto, lembra muito O Paradoxo da Escolha, só que não sob o ponto de vista da psicologia e sim do marketing. Em muitos momentos me lembrei dos argumentos de Barry Schwartz no Paradoxo.
Só que ao contrário de Schwartz, que defende que o suficientemente bom já é bom demais, Godin acredita que é necessário ser o melhor para de destacar e que não vale a pena começar a enfrentar um desafio sem a certeza de poder ir até o final.
Godin resume rapidamente seu pensamento na página 17 do livro:
“Qualquer pessoa que pense em contratá-lo (…) vai se perguntar se você é a melhor escolha. Melhor no seguinte sentido: melhor para ela, neste momento, com base no que ela sabe e acredita. E do mundo no seguinte sentido: o mundo desta pessoa, o mundo ao qual ela tem acesso.”
É sobre este ponto de vista que todo o argumento do livro é desenvolvido. Nada supreendente, mas de certa forma inusitado. Como bom autor de marketing, ao invés de dar um tapa na cara do leitor, Godin prefere convencê-lo lentamente a mudar de opinião e vai costurando seus argumentos de forma cadenciada.
Godin defende que há um rápido crescimento sempre que nos dedicamos a alguma coisa, seja uma profissão seja aprender a jogar tênis. Depois deste crescimento inicial, há um vão, um tempo longo em que tudo parece não evoluir e fica até mais difícil do que antes. É aí que muitas pessoas desistem, sendo que aqueles que enfrentam o vão voltam a subir e se desenvolver, alcançando o sucesso. Colocado de forma simplista, este é o argumento central do livro.
De fato, é um livro simples, objetivo e focado. É de grande ajuda para pessoas que tem dificuldades em definir metas e escolher um caminho a seguir, ou para empresas que estejam em dúvida quanto à uma decisão estratégica, precisando definir se segue em frente para colher os resultados mais à frente ou se desiste logo, antes que mais tempo e recursos sejam desperdiçados à toa.
Mas, sinceramente, existem outros livros do Seth Godin que valem mais à pena. Se você nunca leu nenhum, sugiro começar pelo Sobreviver Não é o Bastante.
Para terminar, algumas frases do livro:
“Sem muito tempo ou oportunidade para experimentar, nós intencionalmente reduzimos nossas escolhas ao que consideramos melhor.” (pg. 16)
“As empresas também se acostumam com o bom o suficiente em vez de o melhor do mundo.” (pg. 21)
“O Vão é a longa e cansativa caminhada entre o início e a maestria. Um momento de avanço lento que – por mais contraditório que pareça – é um atalho, porque leva você onde quer ir mais rapidamente do que qualquer outro caminho.” (pg. 25)
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O Paul Isakson é o cara que criou uma das apresentações mais vistas do SlideShare, com quase 150.000 visualizações. “What’s Next In Marketing & Advertising” ajudou a mudar a forma como as pessoas viam o futuro próximo do Marketing, incluindo aí a mídia, o branding, a web, a TV e o relacionamento com os clientes.
Ele acaba de publicar uma nova apresentação, abordando as mídias sociais.
Para muita gente será somente mais do mesmo, mas é uma abordagem direta e interessante, com boas citações em ordem lógica. Está em inglês, mas o vocabulário é simples, então mesmo que você não seja fluente dá para apreciar o conteúdo.
Invista 5 minutos do seu dia:
Os slides 13 e 16 são especialmente interessantes.
O slide 13 para justificar investimentos cada vez maiores em Search Engine Optimization.
O slide 16 para ajudar quem se acha “de fora do meio” na internet a enxergar de uma vez por todas que a sociedade adotou novos comportamentos com a web, e eles são irreversíveis:
- Nenhuma marca desconhecida poderá crescer sem considerar seriamente a web e as mídias sociais
- É fundamental fazer a gestão da reputação online
- A ética do consumo mudou consideravelmente, as empresas que não tiverem foco de verdade no cliente cedo ou tarde serão desmascaradas e prejudicadas
Mas o insight mais bacana da apresentação do Isakson é este: LISTEN (ESCUTE).
Se a sua empresa acredita que não tem nada a dizer ou não sabe qual é a melhor forma de participar da conversa, pelo menos escute. Certamente exisitirão poderosas dicas e pistas sobre o que os seus clientes realmente querem ou precisam!
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