Você está pronto para o século 21?
9 fevereiro 2010
A produção lembra os vídeos da XPlain e o conteúdo me lembra o Sérgio Amadeu. Bela mistura!
Peguei este vídeo no blog de um marroquinho que achei no Twitter:
http://clatteringthoughts.posterous.com/people-centric-is-the-new-black
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A Declaração de Hamburgo mira no alvo errado
7 janeiro 2010
A Declaração de Hamburgo é um documento escrito por um grupo de jornais com objetivo de defender os direitos autorais na internet. Se parasse aqui, seria compreensível e sob certos pontos de vista, até louvável.
O problema começa quando o documento ataca algo a que denomina genericamente de “agregadores de conteúdo”, o que em tese se refere à serviços como o Google News, o Yahoo! News e o Mahalo.
O documento busca se legitimar defendendo que os agregadores seriam os responsáveis pela crise no jornalismo impresso em papel jornal, o que é no mínimo superficial. Ao contrário do Brasil, onde os jornais impressos apresentaram aumento de circulação nos últimos anos, apesar de eventualmente alegarem queda nas receitas, a situação no mundo tende a ser o contrário: queda de circulação e de receitas.
Sem estender muito a discussão neste ponto, a queda de circulação pode ser explicada por uma enorme variedade de fatores, entre eles a internet:
- Com o barateamento das tecnologias de publicação (tanto as digitais quanto as impressas), tornou-se muito mais simples produzir um veículo de mídia (revista, jornal de bairro ou outras publicações impressas) e monetizar o negócio, de forma que o volume aumentou muito dos anos 90 até hoje, mas a qualidade ganhou mais graus de separação entre o péssimo, o razoável e o ótimo;
- Excesso de informações à disposição de qualquer pessoa, em qualquer classe social, com conseqüências como a “Ansiedade de Informação” e o “Paradoxo da Escolha” – fica difícil selecionar o que ler em meio a tantas opções;
- Aumento exponencial dos gastos em famílias de classe média, nas quais o orçamento é disponível, mas limitado (vale para o Brasil e para a classe média americana também). Anos atrás gastos como telefonia celular, TV à cabo e conexão à internet eram inexistentes. O dinheiro que hoje é utilizado nestas contas provavelmente migrou de outros lugares, entre eles a assinatura de jornais e revistas;
- Enfim, a disponibilidade de acesso a jornais pela internet, o que – em tese – permitiria ler um jornal online. Este ponto é bastante controverso, uma vez que são poucos os jornais que publicam todo o material do impresso na internet e os que o fazem ainda não encontraram uma solução de navegação que gere uma boa experiência do usuário e permite ler online todo o jornal como se faz no papel. Aqui se abre outro imenso foco de debate:
- qualidade da leitura na tela x papel
- praticidade de manuseio do papel x interface
- agrupamento do conteúdo online x no papel
- capacidade de atualização do conteúdo ao longo do dia
- Por fim, a questão do imediatismo. Ninguém compra o jornal do dia seguinte para saber que Michael Jackson morreu. O jornal deve assumir outro papel neste caso, o de agregar informações extras, reflexões e desmembramentos do fato jornalístico. Sobre este aspecto, vale a pena ver a entrevista que o Celso Freitas concedeu ao Vitrine da TV Cultura abordando o futuro do jornalismo. Se não fizer isso de forma bem feita, muitos blogs e sites o farão. Caberá ao leitor decidir pagar pelo jornal ou ler a fonte que preferir.
Estas discussões não cabem neste texto, mas servem para ilustrar o tamanho do problema que os jornais enfrentam, que diz respeito muito mais ao modelo de negócio do que ao direito autoral em si.
Conteúdo livro na internet e o problema da monetização
Nos anos 90, sem referência alguma de modelo de negócio e sem saber quais caminhos iriam dar certo, se popularizou na internet a noção de que o modelo publicitário tradicional (anúncios junto ao conteúdo) um dia pagaria a conta da distribuição livre do conteúdo proprietário. Em outras palavras, que a propaganda pagaria os custos do jornalismo da grande imprensa na internet também.
O próprio conceito da distribuição livre de conteúdo é uma noção própria da internet, que levou ao surgimento de iniciativas como o Creative Commons e de movimentos como o Copyleft. Anos depois, com a explosão dos blogs, vieram as discussões sobre o papel do jornalismo e debates sérios sobre o papel dos blogs e do jornalismo no acesso a informação.
No pós-bolha, quando vários modelos de negócio começaram a amadurecer e surgiram alternativas de monetização do conteúdo, a crença geral passou a ser de que era uma questão de tempo para que o conteúdo gerado principalmente pela imprensa tradicional seria lucrativo.
Várias soluções foram apontadas como tendências ou mesmo possibilidades para o futuro, entre elas os Micropagamentos, solução usada por exemplo no iTunes, serviço de venda avulsa de músicas operado pela Apple. Nenhuma delas se mostrou viável até o momento para resolver o buraco da remuneração do conteúdo.
Só que neste meio tempo, a internet evoluiu e as pessoas passaram a poder escolher novas fontes de informação que não existiam antes. Para que ler o caderno de informática quando se tem bons sites sobre o assunto e bons blogs? Para que se limitar ao caderno de automóveis e seus classificados quando se tem milhares de sites sobre carros e sites especializados em anúncios com fotos, descritivos detalhados e comparação de preços. Enquanto o mundo mudava, o jornal impresso se agarrava ao modelo de anúncios de 3 linhas e conteúdos que já não eram mais exclusivos, ainda que conservem leitores até hoje.
Existe mercado para ambos, tanto para os cadernos de informática e automóveis quanto para os sites e blogs especializados, mas a monetização persiste como um problema a ser superado.
Direito Autoral
O argumento fundamental no qual se baseia a Declaração de Hamburgo é válido e lícito. O direito autoral é uma questão central da sociedade contemporânea e quem produz alguma coisa de valor deve ter o direito de decidir se deseja distribuir a criação livremente ou cobrar por ela, salvo exceções (novamente, exceções cujo debate não cabe aqui).
Esta é a questão que habita em torno do Creative Commons, uma flexibilização do direito autoral que possibilite que, caso o criador tenha direito exclusivo sobre uma obra e deseje compartilhar este direito com o mundo, possa fazê-lo de forma legalizada e organizada.
Por outro lado, há quem prefira cobrar pelo conteúdo que produz, seja pela qualidade, pela exclusividade, pela credibilidade ou seja lá pelo que for. Não são poucos os modelos de negócio online baseados em assinatura de serviços online. A versão gratuita permite acesso ao básico e a versão completa é paga.
Sob este ponto de vista, é facultativo que aqueles jornais que decidirem, cobrem por seu conteúdo. Apesar de estarmos acostumados a ter acesso ao conteúdo em geral de forma gratuita, acredito que este modelo sofrerá mudanças com o passar dos anos. Assim como novas fontes de conteúdo gratuito devem surgir, alguns conteúdos de qualidade poderão optar pelo caminho da assinatura, com diferentes graus de sucesso.
Assim como alguns decidirão cobrar, outros apostarão ainda mais pesado na gratuidade. Chris Anderson, o popular autor de “A Cauda Longa”, aposta em seu novo livro “Free” que este será o modelo reinante no futuro. Este mesmo livro, “Free”, pode ser lido gratuitamente num PDF não baixável online ou comprado em formato de livro impresso em papel. É um modelo que protege o Direito Autoral, mas compartilha uma determinada opção de formato da obra em formato livre. Já “Onipresente”, de Ricardo Cavallini, foi lançado totalmente livre em português, com 2 opções de PDF: baixa ou alta resolução, além da versão em livro impresso em papel, que é paga. Nos 2 exemplos, a escolha de dar ao leitor uma opção gratuita da obra partiu dos autores, que escolheram distribuir gratuitamente suas obras.
Quando o caso é do autor (ou proprietário do Direito Autoral, no caso dos jornais) escolher proteger seu conteúdo e cobrar pelo acesso, esta opção ainda gera muita controvérsia e críticas ao modelo escolhido. As críticas incluem questões ideológicas, mercadológicas e éticas, como no Manifesto Internet, escrito por 15 jornalistas e blogueiros alemães em resposta à Declaração de Hamburgo.
Em 2007, o New York Times abriu o acesso ao seu conteúdo online para não assinantes, sinalizando que esta tendência seria um caminho sem volta, até que Rupert Murdoch (proprietário da News Corp., controladora do New York Times, do Wall Street Journal, da rede de televisão Fox e do tablóide britânico The Sun) decidiu voltar sua atenção aos agregadores de conteúdo, especialmente o Google, através do Google News.
Alvo errado
O problema está no alvo. A Declaração de Hamburgo elege um alvo fácil, um bode expiatório para um problema que ainda não sabe como resolver. Se os agregadores de notícias fossem os grandes responsáveis pela queda de circulação e receitas no negócio dos jornais, imediatamente a má administração, o comodismo, o tradicionalismo editorial e outros problemas estariam resolvidos.
A Associated Press afirmou que moveria uma ação junto com alguns jornais impressos contra sites que usassem seu conteúdo de forma inapropriada. Em resposta, o CEO do Google, Eric Schmidt, escreveu um editorial no Wall Street Journal (jornal de propriedade de Rupert Murdoch) afirmando que tem ciência do problema no negócio dos jornais, mas que o Google não é o responsável pelo problema.
Schmidt comentou dados de um post no blog de Políticas Públicas do Google em resposta à Associated Press afirmando que os sites do Google enviam mais de um bilhão de leitores por mês para sites de jornais, e que cabe a eles monetizar este conteúdo.
Agora, o serviço Google News permitirá outra funcionalidade: os editores dos sites poderão escolher quantas páginas gratuitas os leitores poderão acessar por dia. A partir daí, o conteúdo será pago. Desta forma, o Google lava as mãos e tenta se retirar do centro da discussão.
Uma matéria do O Estado de São Paulo destacou uma frase do diretor-executivo da ANJ (Associação Nacional de Jornais), Ricardo Pedreira: “Em relação ao Google, o jornal que quiser pode pedir que tenha seu conteúdo retirado”.
O fato é que esta possibilidade já existia antes da Declaração de Hamburgo. Todo este cenário que se desenvolveu nos últimos meses mostra que estamos longe de uma compreensão mais aprofundada da Economia da Atenção e só vem provar que os negócios estão sendo afetados pelas mudanças no mundo mais rapidamente do que conseguem reagir a estas mudanças.
Tiago Dória comenta em seu blog: “Mesmo num blog gratuito, o leitor paga de forma não monetária ao ceder tempo e atenção para lê-lo. Coisas até hoje escassas e que estão se tornando quase moedas.”
Este deveria ser o ponto de atenção na Declaração de Hamburgo: o que os noticiários impressos estão fazendo para conquistar o tempo e a atenção de seus leitores? O dinheiro será conseqüência. Proteger os Direitos Autorais é uma medida que pode ter duas conseqüências bem distintas: demonstrar que de fato as pessoas valorizam o jornalismo da forma como vem sendo feito nas últimas décadas e se dispõe a pagar por ele ou acelerar o processo de ruptura com a notícia impressa por uma grande massa de leitores que já vêem adotando novas fontes de informação.
Aderir à Declaração de Hamburgo é só mais uma demonstração de que existe uma miopia no negócio da notícia impressa. Ao mesmo tempo em que tenta evoluir e se adaptar, não vê os novos comportamentos como oportunidades, mas como ameaças. Foca em prolongar o status quo ao invés de buscar soluções que perpetuem o bom jornalismo.
Mesmo quando há operações online bem estruturas, como é o caso de alguns portais de jornais brasileiros, ainda faltam estratégias para lidar com o jornalismo na internet de forma a atender os melhores interesses dos leitores sem ferir os interesses comerciais do proprietário do jornal.
E neste problema a Declaração de Hamburgo nem tocou.
(texto publicado originalmente no WebInsider)
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LINKS RECOMENDADOS:
Leia a Declaração de Hamburgo na íntegra:
Manifesto Internet, contra-ataque à Declaração de Hamburgo:
http://manifesto-internet.org/
Tiago Dória comenta a Declaração de Hamburgo:
http://www.tiagodoria.ig.com.br/2009/11/10/minha-opiniao-sobre-a-declaracao-de-hamburgo/
Paulo Querido comenta e alfineta a Declaração de Hamburgo:
http://pauloquerido.pt/media/declaracao-de-hamburgo-o-beco-sem-saida/
Comentários de Reinaldo Azevedo em seu blog na Veja sobre a Declaração de Hamburgo:
“Notícia” do O Estado de São Paulo sobre a Declaração de Hamburgo:
Steven Johnson, um dos pioneiros da internet, e Paul Starr, Prêmio Pulitzer e professor de sociologia em Princeton, travam um debate acirrado sobre o futuro do jornalismo e o acesso à informação:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u551660.shtml
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Livro: A Busca – John Battelle
5 janeiro 2010
Autor: John Battelle
Tempo Estimado de Leitura: 11 horas
Linguagem: Intermediária
Diagramação: Tradicional
Custo-Benefício: Excelente
Páginas: 271
Editora: Campus
Lido em: Nov-Dez/2009
Onde encontrar: Submarino![]()
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A Busca não é só um livro sobre o Google, é o melhor e mais completo livro-reportagem sobre o Google e o mercado de buscas. Isso tem uma explicação relativamente simples: John Battelle é um dos fundadores da cultuada revista Wired e cobre o mercado de tecnologia há muitos, gozando de uma excelente reputação no mercado, o que certamente facilitou os contatos para a pesquisa e produção do livro.
Este é aquele tipo de livro que depois que você começa não consegue mais parar de ler. Cada capítulo abre um universo novo e relata os acontecimentos num nível de detalhes que só um repórter muito competente consegue reunir. A narrativa é envolvente e flui muito bem, parece que se está vendo um filme. Outras passagens são mais reflexivas, nas quais Battelle discute comportamentos das pessoas, tendências e faz até exercícios de futurologia (aliás, ele acertou boa parte das futurologias – o cara é bom mesmo).
Foram dezenas de entrevistas para produzir o livro, além de acordos com os fundadores do Google para conseguir a atenção e extrair deles as informações necessárias para costurar a história do mercado de buscas de antes da bolha até 2004, quando o livro foi publicado.
Battelle comenta, entre outras curiosidades, a origem do lema “Don’t be evil” do Google, além de discutir os labirintos a que isso levou o Google quando da entrada no mercado chinês, no qual os resultados de busca são censurados. Há um capítulo inteiro sobre o Google na China, a censura, as questões éticas e sinucas nas quais o Google se meteu ao adotar uma postura de empresa que não quer fazer o mal, mas que se vê “obrigada” a acatar contra-medidas para poder atuar num mercado fechado, ditatorial e onde há censura explícita e falta de liberdade de expressão.
Neste ponto, A Busca é um livro muito maduro e que faz o leitor mergulhar em questões sociais, éticas, comerciais, tecnológicas e culturais, mostrando como a existência da busca mudou nossa visão do mundo e nossa postura frente ao consumo de informações na sociedade contemporânea.
Olhando agora, no início de 2010, parece que um livro sobre o Google publicado há mais de 5 anos pode estar desatualizado, mas ao ler a impressão é exatamente oposta: cada página parece ter sido escrita ontem, se muito.
Para quem trabalha com SEM, SEO ou só com internet mesmo, é um livro indispensável. Faz olhar as coisas com uma visão mais crítica, mais madura e mais abrangente.
A Busca é leitura obrigatória para profissionais de web que queiram estar atualizados e conhecer as histórias por trás da empresa que ajudou a moldar o começo do novo século. Eu recomendo, sem sombra de dúvida.
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Livro: O Culto do Amador – Andrew Keen
4 janeiro 2010

Autor: Andrew Keen
Tempo Estimado de Leitura: 6 a 7 horas
Linguagem: Intermediária
Diagramação: Tradicional
Custo-Benefício: Muito bom
Páginas: 207
Editora: Zahar (Jorge Zahar Editor)
Lido em: Out/2009
Onde encontrar: Submarino![]()
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O Culto do Amador é um livro perturbador, revoltante e inquietante. É impossível lê-lo do começo ao fim e não passar por – pelo menos – um destes sentimentos. Sem dúvida, prova a capacidade editorial da Editora Zahar, que já publicou também “Conectado” do Juliano Spyer, “Ética, Jornalismo e Nova Mídia” de Caio Túlio Costa e “Cultura da Interface“, de Steven Johnson. É preciso um bom projeto editorial para publicar certos títulos e encontrar o público certo para eles.
Quase larguei o livro pela metade e botei pra vender na Estante Virtual, tamanha a minha decepção até que o livro chegasse ao ponto de mostrar argumentos razoáveis. Ainda bem que engoli seco e fui até o fim.
Na primeira metade do livro, Andrew Keen, um empreendedor da internet e ex-entusiasta da web 2.0, destila seu veneno contra a web 2.0 e parece ser apenas um preconceituoso revoltado que está nadando contra a corrente só para parecer diferente e receber atenção. Alguns trechos são especialmente bizarros, como este:
“Os jornalistas-cidadãos simplesmente não têm os recursos necessários para nos trazer notícias confiáveis. Falta-lhes não somente expertise e formação, mas relações e acesso à informação. Afinal, um CEO ou um político pode se recusar a colaborar com o cidadão médio, mas seria um tolo caso se recusasse a atender ao telefonema de um repórter ou editor do Wall Street Journal em busca de um comentário sobre uma notícia extraordinária.”
Visto às cegas, parece mais um daqueles argumentos sobre como blogs não são relevantes frente ao jornalismo da grande mídia ou sobre blogueiros não terem capacidade para escrever como jornalistas profissionais. Sobre esta discussão, aliás, é fundamental ler as cartas entre Steven Johnson, um dos pioneiros da internet, e Paul Starr, Prêmio Pulitzer e professor de sociologia em Princeton, nas quais travam um debate acirrado sobre o futuro do jornalismo e o acesso à informação.
Outro fato que se cruza com a publicação de O Culto do Amador foi a polêmica Declaração de Hamburgo (sobre este assunto, escrevi um texto sobre a Declaração de Hamburgo no WebInsider), documento de intenções publicado por um grupo de grandes jornais contra os agregadores de conteúdo, como o Google News e o Yahoo! News. A Declaração de Hamburgo mira no alvo errado, já Andrew Keen mira no alvo certo, mas exagera no calibre.
É certo que a internet teve uma influência fundamental no declínio da indústria da música (A Indústria Fonográfica se Merece!) e que a há uma gigantesca mudança de valores em curso, que atinge diferentes países e diferentes classes sociais em tempos e profundidades diferentes, mas atribuir a “culpa” destas mudanças somente à internet é um tanto superficial.
O que Keen faz é desdobrar os argumentos tradicionais e preconceitos em dados e tentar trazer senso à discussão. Para quem é profissional de internet, entusiasta das novas mídias, usuário de redes sociais e está acostumado ao discurso da web 2.0, os argumentos de Keen dóem um pouco.
Alguns exemplos usados soam superficiais ou forçados, porque poderiam ter ocorrido com ou sem a existência da internet, como o adolescente viciado em jogos online. Sem a web, ele provavelmente teria ido jogar em outros lugares, como fazem no mundo todo outros milhares de viciados em jogo que não tem intimidade com a web.
No final, Keen aborda inclusive questões como segurança das crianças ao navegar e a formação de uma cultura de “burrice coletiva”, argumentos que vale a pena entender e sobre os quais vale refletir, ainda que não se concorde com eles.
Não dá para negar que é um livro chato, mas é essencial. Se puder, quiser e agüentar, leia. Para mim valeu a pena.
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Autora: Martha Gabriel
Tempo Estimado de Leitura: 5 horas
Linguagem: Simples
Diagramação: Tradicional
Custo-Benefício: Muito bom
Páginas: 168
Editora: Novatec
Lido em: Jun/2009
Onde encontrar: Submarino![]()
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SEM e SEO é o segundo melhor livro em língua portuguesa sobre marketing de busca. O primeiro é A Busca, do John Batelle. E esse é um grande mérito!
A Novatec já publicou outro livro de Martha Gabriel, Marketing de Otimização de Buscas na Web, lançado em 2008. Este segundo livro é mais abrangente, mais completo e mais amadurecido, já que o mercado de buscas mudou muito desde 2007.
O livro é muito bem escrito, fruto da experiência da Martha em diversas publicações anteriores em Congressos, Seminários e Publicações científicas. Apesar disso, a linguagem do livro é fácil e fluente, o que facilita o entendimento para quem não é da área ou está começando. O livro também foi bem revisado, o que lhe garante um texto de qualidade.
Em termos técnicos, o livro é preciso e reflete a experiência da autora na área, sem sombra de dúvidas. Não é um livro técnicista, que se prende a detalhes do “como”, mas foca muito mais no “porquê”. Este é o grande diferencial deste livro.
Cada capítulo trata de um tema, sem aprofundar mas sem ser superficial, como ocorre com livros sobre temas relacionados à internet ou à marketing. São 10 capítulos no total:
1. A Era da Busca
2. Busca na web: conceitos e reflexões
3. SEM – Search Engine Marketing: marketing de busca
4. Plano de marketing de busca: marketing e TI
5. SEO: otimização orgânica (on-page)
6. Links patrocinados
7. Landing pages
8. Tendências: presente e futuro
9. Cuidados essenciais
10. Ferramentas e recursos de SEM
SEM e SEO é um livro fundamental para quem está entrando no mercado e quer aprender rapidamente e com fundamentos os conceitos básicos da área. Também é muito interessante para quem está na área de 2008 para cá e quer aprofundar conceitos e entender melhor a área de marketing de busca.
O livro é recheado de dicas de sites úteis para profissionais de Search Marketing e traz alguns macetes que levariam meses de tentativas e erros para serem aprendidos, tudo isso com um custo-benefício muito bom. Entre os livros de Marketing Digital publicados pela Novatec este sem dúvida é o melhor.
O livro também é muito indicado para profissionais de agências de propaganda tradicionais que querem entender melhor o mundo digital ou lidam com parcerias com agências digitais e precisam conhecer melhor as alternativas que o meio oferece.
Enfim, SEM e SEO é uma leitura competente e importante para quem quer entender melhor o mundo do marketing de busca. Eu recomendo!
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A indústria fonográfica se merece
17 novembro 2009
Acabei de ler esta semana O Culto do Amador, do Andrew Keen. Ele defende ardorosamente os empregos que a indústria da música gera, a cadeia produtiva de distribuição e o sistema de distribuição de royalties. Tenho vários pontos de vistas discordantes, mas deixo-os para a resenha do livro, que termino esta semana.
Porém um fato me fez consolidar minhas convicções de que a indústria da música envelheceu, definhou e caminha convictamente para um abismo. Ontem à noite fiquei muito mais decepcionado com a indústria da música do que já estava antes.
Sempre fui comprador de CD’s e continuo gostando de ter a música em formato de CD, para algumas bandas que gosto muito. A qualidade do MP3 é ruim, então ainda prefiro CD’s.
Quando capotei o carro, um dos CD’s que se perdeu foi o Sacred Fire – Live In South America, do Santana. Semana passada fiz um pedido de vários itens no Submarino e resolvi recomprar este CD do Santana.
Ao recebê-lo, duas coisas me decepcionaram:
1) O CD veio numa embalagem porca, chamada pela Universal Music de “ecopac“. Não é um Digipak, aquelas embalagens feitas de papel de qualidade, com alta qualidade gráfica. O tal ecopac é um papelão de baixa qualidade, com impressão de baixa definição (quase borrada) e o suporte do CD é um tipo de isopor de alta densidade. Quando vi a embalagem, me deu vontade de devolver o CD. Me arrependi da compra. Talvez não compre mais CD’s online sem ter certeza de que a embalagem é decente.
Fiz uma busca rápida no Google e descobri vários sites divulgando o ecopac, reproduzindo um press-release da Universal Music. Não me convenceu. O apelo ecológico da embalagem não cola. Não compro um CD com a intenção de reciclá-lo, nem me preocupa que a embalagem seja biodegradável, o grande apelo do ecopac. Quando um CD risca, eu jogo o encarte no cesto de reciclagem de papel e o plástico no cesto de plástico. Simples.
Para mim, fica parecendo uma tentativa de embarcar na onda do ecologicamente correto só porque é moda e – teoricamente – os consumidores mais sensíveis ao apelo ecológico tenderiam a considerar este diferencial.
Mas, por outro lado, mostra da parte da Universal um descolamento das reais necessidades do consumidor de música. Se fosse pra comprar um CD porco, me sairia mais barato baixar as MP3 em alta qualidade do iTunes.
2) A segunda decepção é que o Submarino anuncia o CD como importado, sendo que de fato ele é feito na Zona Franca de Manaus. O fato de ser ou não importado nem me faz diferença, sinceramente prefiro comprar produtos fabricados no Brasil. Mas o fato do site cadastrar um produto e entregar outro causa decepção.
Veja algumas fotos da embalagem ecopac:
Considerando que a Universal Music é um grande player da indústria da música e o Submarino é um grande distribuidor de formatos de consumo de música, ambos deveriam se preocupar mais com a percepção dos seus consumidores.
Andando neste caminho, a indústria da música continuará decrescendo. Mesmo numa economia de transformação mais lenta como o Brasil, onde ainda se consome muito formato físico e pouco formato puramente digital, a indústria parece não se importar com o que pensam seus clientes.
O futuro dirá quem tinha razão.
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A info-obesidade e os desafios da publicidade
11 novembro 2009
O Michel Lent é um cara admirável. Além de sempre ter sido um dos expoentes da web brasileira, desde os tempos pré-bolha, o cara faz algumas das palestras mais concisas e inteligentes quando se fala em internet no Brasil.
Esta última, apresentada no Intercon, é imperdível:
Quanto vale o seu tempo?
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Livro SEO – Paulo Rodrigo Teixeira
3 novembro 2009
Autor: Paulo Rodrigo Teixeira
Tempo Estimado de Leitura: 3,5 horas
Linguagem: Simples
Diagramação: Tradicional
Custo-Benefício: Bom
Páginas: 100
Lido em: out/2009
Onde encontrar: www.livroseo.com
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Antes de falar do livro SEO, é preciso reconhecer o pioneirismo e a coragem do Paulo ao produzir e lançar o livro. O blog do Paulo é referência no mercado brasileiro, além do curso de SEO, também pioneiro e que já formou várias turmas. O livro é mais um produto dos cursos do que uma iniciativa isolada.
O livro é totalmente independente, no modelo DIY (Do It Yourself) do começo ao fim. O Paulo escreveu, editou, imprimiu e vende o livro sozinho. Sem editor, sem editora, sem distribuidora.
Por um lado, tratando-se de um livro de conteúdo técnico, é uma medida que auxilia na rapidez de produção e publicação, mas por outro lado traz embutidos alguns riscos:
A qualidade da capa e da impressão estão dentro da média brasileira (que diga-se de passagem, é baixa). Editoras como a Jorge Zahar e a Sextante tem mais cuidado na escolha do papel, da capa, da tipografia. Mas as outras, de forma geral, reduzem custos nesta área. Apesar do livro SEO custar R$ 49,00, a impressão não é lá das melhores. Este preço é relativamente alto para o mercado editorial brasileiro, mas mais do que justo pelo conteúdo do livro.
Porém, o maior risco não vem do formato, mas sim do conteúdo. A falta de um editor (ou mesmo um revisor) se mostrou evidente nos inúmeros erros de digitação e alguns de concordância. Um livro produzido e revisado chega a ter de 3 a 4 erros, mas o livro SEO tem dezenas de erros de digitação. Isso não tira a validade da obra, mas depõe contra a qualidade do projeto com um todo.
Feitas estas duas ressalvas, agora vamos falar das qualidades!
O livro SEO é o livro técnico sobre Otimização de Sites do mercado em português mais focado que já li.
O SEO Bible é enorme, tem 400 páginas, mas poderia ser resumido em 100, como o livro SEO. O livro da Martha Gabriel é excelente também, mas não é focado só em SEO.
A vantagem do livro SEO sobre o SEO Bible é que o Paulo trata do mercado brasileiro, com exemplos locais e pensado para a realidade do profissional brasileiro.
O livro é muito atual, abrangente e organizado numa ordem lógica, que facilita a compreensão tanto de iniciantes quanto de iniciados. Para os intermediários, muita coisa servirá só de revisão, mas ainda sim vale o investimento. Só para quem já tem estrada é que o livro pode deixar a desejar. Não é um livro para experts e para quem tem mais de 1 ano de mercado, sem dúvida.
Se você quer ter em mãos um livro que sirva de guia rápido de consulta e possa ser usado para treinar novos profissionais na equipe de SEO, este é o livro!
Para comprar, é só acessar o site www.livroseo.com
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O conteúdo em texto importa na internet?
2 novembro 2009
Este vídeo discute rapidamente como tratar o texto na web usando princípios de Usabilidade, Arquitetura de Informação e, de quebra, SEO:
Um bom site deve alinhar tanto quanto possível: boa usabilidade, boa arquitetura, bom marketing e bom SEO, tudo com foco no foco do usuário.
Só assim dá para sobreviver a usuários acostumados a julgar tudo em poucos segundos!
Esta semana sai um livro chamado “Você tem 5 segundos”, do Juan Camus. Vi o vídeo no site dele. O livro trata exatamente sobre como produzir texto para web, considerando as questões que o vídeo aborda. Por hora, sai só em espanhol…
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