Ler online está nos tornando mais burros?
1 Julho 2008
Recebi este artigo do The Atlantic 3 vezes nos últimos dias. Irocanicamente, gravei nos favoritos para ler mais tarde. Só na terceira vez em que recebi a recomendação é que li mesmo o texto.
A primeira recomendação do texto, quando o Nascido me mandou, dizia “texto longo e em inglês, mas vale a pena ler”.
A ironia só teve nexo quando li o texto, que aponta justamente que a forma como lemos online está mudando a capacidade de raciocinar, entender e refletir sobre textos longos e mais profundos.
Este trecho é esclarecedor:
“We are how we read.” Wolf worries that the style of reading promoted by the Net, a style that puts “efficiency” and “immediacy” above all else, may be weakening our capacity for the kind of deep reading that emerged when an earlier technology, the printing press, made long and complex works of prose commonplace. When we read online, she says, we tend to become “mere decoders of information.” Our ability to interpret text, to make the rich mental connections that form when we read deeply and without distraction, remains largely disengaged.
Já este trecho soa estarrecedor:
“Ambiguity is not an opening for insight but a bug to be fixed.”
O entendimento da ciência sobre a cognição ainda é incipiente (apesar de eu não ser neurocientista, estou papagaiando o que se costuma ouvir de amigos que são médicos/psicólogos/psiquiatras), apesar de ter aberto vários caminhos para um melhor entendimento de como funciona o cérebro, mas é um fato que a facilidade de buscar conteúdo online torna as coisas mais convenientes, no entanto isso também dificulta a memorização, a imersão e um entendimento mais completo do assunto pesquisado. Basta um “define:” no Google para seguir em frente.
Tenho cultivado o hábito de grifar (a lápis) os livros que leio, fazendo anotações nas margens para a posteridade. Elas já me foram úteis ao procurar assuntos em livros sem índice remissivo, pesquisar sobre assuntos que li há muito tempo ou relembrar um livro todo só lendo os trechos grifados.
Mas o maior benefício vem justamente da memorização. Quando grifo, acabo lendo o trecho algumas vezes e memorizando a passagem, memória que costuma durar anos ou vir à mente em situações oportunas. Me lembro daquelas dicas de estudo que os cursinhos costumam dar na frase pré-vestibular, quando os professores enfatizavam que escutar, ler e anotar aumenta a probabilidade de entender e a capacidade de memorizar os conteúdos.
Voltando ao artigo, Nicholas Carr atribui no título a “culpa” pela menor capacidade de lermos ao Google, o que ativou um link recente na minha memória: Confidencial: 22 Leis do Google que vazaram. Ao que parece, cada vez mais gente acredita na Teoria da Conspiração: Sergey e Larry querem mesmo dominar o mundo. Muita gente mesmo.
De fato, a facilidade de encontrar informação, armazenar informação e [teoricamente] recuperar esta informação torna nosso cérebro mais preguiçoso. Por isso, considero a reflexão de Carr a citação do ano:
“That’s the essence of Kubrick’s dark prophecy: as we come to rely on computers to mediate our understanding of the world, it is our own intelligence that flattens into artificial intelligence.”
Por isso, recorro ao Wurman para terminar: “Aprender é lembrar o que nos interessa.”
Não leia mais, leia melhor!
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Este minidocumentário trata sobre o processo de criação do lendário (sim, lendário, e não legendário) Nike Air Max. O filme de 8 minutos é basicamente um depoimento de Thinker Hatfield, atual Vice-Presidente de design da NIKE.
Ele explica como se inspirou no Centro Pompidou, criado pelo arquiteto italiano Renzo Piano, para projetar o amortecedor transparente e visível do Nike Air Max.
“Idéias todo mundo tem. Como é que entram na cabeça da gente? Entram porque a gente lê, observa, conversa, vê espetáculos.”
(Ruth Rocha)
Na época do lançamento, há 2 décadas (meu Deus, tô ficando velho, eu vivi isso!) o tênis foi criticado por esportistas por ser muito colorido e não ter cara de tênis de corrida! O Thinker fala sobre isso no filme. Aliás, reparou no nome do sujeito? Pensador.
O filme mostra bem rapidamente algumas reuniões de época e rascunhos do projeto original, um fetiche para quem gosta de projetar e ver/participar do projetos alheios.
O que mais me chamou a atenção foi o título do filme: Respect The Architects.
Isso me lembra do Richard Saul Wurman, o homem que cunhou o nome Arquitetura de Informação. Ele era arquiteto e foi aluno de Louis Khan, arquiteto da mesma estirpe de elite que Renzo Piano.
Os arquitetos são profissionais inovadores por natureza, gente que pensa e vive o novo. Arquitetura se faz de história E repertório, mas se faz com papel e lápis. Qualquer arquitetura.
A direção do filme é de Thibaut de Longville. Áudio em inglês e legendas em francês.
Dica do Nascido, que me mandou o link.
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Quem entende Portugal?
3 Abril 2008
O texto abaixo foi integralmente reproduzido de um e-mail, os (ótimos) comentários entre parenteses não são meus, mas complementam a idéia.
Se por um lado é importante dar instruções corretas aos usuários, por outro lado é fundamental não tratá-los como acéfalos. Dei boas risadas e guardei para usar de exemplo.
“Não dá para acreditar que estas advertências estão realmente escritas em embalagens de produtos vendidos em Portugal. As advertências aos consumidores abaixo foram colecionadas em hipermercados portugueses, em duas horas apenas, por um médico brasileiro que ministrou curso em Lisboa, a convite da OMS. Todas são absolutamente verdadeiras, inclusive os nomes dos produtos.
Num secador de cabelos:
“NAO USE QUANDO ESTIVER DORMINDO”
(Sei lá, você pode querer ganhar tempo.)
Na embalagem do sabonete anti-séptico Dial:
“INDICAÇÕES: UTILIZAR COMO SABONETE NORMAL”
(Boa! Cabe a cada um imaginar pra que serve um sabonete anormal)
Em alguns pacotes de refeições congeladas Swan:
” SUGESTÃO DE APRESENTAÇÃO: DESCONGELAR PRIMEIRO”
(É só sugestão, tá ok? De repente o pessoal pode estar a fim de chupá-las como picolé.)
Numa touca para a ducha:
“VÁLIDO PARA UMA CABEÇA”
(Alguém muito romântico poderia colocar a sua e a da amada na mesma touca.)
Na sobremesa Tiramisú da marca Tesco, impresso no lado de baixo da caixa:
“NÃO INVERTER A EMBALAGEM”
(Opa! Se você leu o aviso, é porque já inverteu!)
No pudim da Marks & Spencer:
“ATENÇÃO: O PUDIM ESTARÁ QUENTE DEPOIS DE AQUECIDO”
(Brilhante!)
Na embalagem do ferro de passar Rowenta de fabricação alemã:
“NÃO ENGOMAR A ROUPA SOBRE O CORPO”
(Coitada da infeliz criatura que não deu ouvidos a este aviso)
Num medicamento pediátrico contra o catarro infantil, da Boots:
“NÃO CONDUZA AUTOMÓVEIS NEM MANEJE MAQUINÁRIA PESADA DEPOIS DE TOMAR ESTE MEDICAMENTO”
(Tantos acidentes poderiam ser evitados se fosse possível manter esses travessos miúdos de 4 anos longe dos volantes dos carros e dos tratores Caterpillar)
Nas pastilhas para dormir da Nytol:
“ADVERTÊNCIA: PODE PRODUZIR SONOLÊNCIA”
(Pode não, deve! Foi prá isso que eu comprei).
Numa faca de cozinha:
“IMPORTANTE: MANTER LONGE DAS CRIANÇAS E ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO”
(Será que lá os cachorros e gatos são ninjas disfarçados? Nunca vi nenhum mexer em faca!)
Numa caixa de luzes decoração de Natal:
“USAR APENAS NO INTERIOR OU NO EXTERIOR”
(Alguém pode me dizer qual é a 3ª opção?)
Nos pacotes de amendoim da Sainsbury:
“AVISO: CONTÉM AMENDOINS”
(Mania de estragar as surpresas!)
Numa serra elétrica da Husqvarna, de fabricação sueca:
” NÃO TENTE DETER A SERRA COM AS MÃOS OU OS GENITAIS”
(Kit de castração caseira?)
Num saquinho de batatas fritas:
“VOCÊ PODE SER O VENCEDOR. NÃO É NECESSÁRIO COMPRAR. DETALHES DENTRO”.
(sem comentários)
Numa fantasia infantil de Super-Homem:
“O USO DESSE TRAJE NÃO O TORNA APTO A VOAR”.
(Olha como isso destrói a imaginação da criança!)”
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Mais eventos de design no 1º semestre
31 Março 2008
O cenário do design brasileiro está melhorando a cada ano e a integração entre academia e mercado tem sido cada vez maior. Uma prova disso é a quantidade de bons eventos para discutir a pesquisa em design no Brasil e trocar experiências tanto entre pesquisadores quanto entre profissionais e também entre pesquisadores e profissionais.
Os 3 eventos abaixo são em São Paulo, mas além destes 3, tem muito mais pelo Brasil afora.
» Design: Beautility, Visão e Emoção são os Temas do I Encontro IDEA/Brasil
» I Simpósio Paulista de Pesquisa e Pós-Graduação em Design - 14 e 15/abr
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Mais um vídeo muito bom de Michael Wesch, professor de Antropologia Cultural na Univesidade do Kansas. Desta vez, o autor de The Machine Is Using Us aborda a forma como a informação é usada, através das mudanças no modo como localizamos, guardamos, criamos, analisamos e compartilhamos a informação.
Tô ficando cada dia mais fã do Wesch. O roteiro dos vídeos é inteligente e leve, além do fato de serem muito bem editados, sem precisar recorrer a efeitos, vinhetas, letreiros e qualquer tipo de firula videográfica. O cara vai direto ao ponto, sem perder a clareza nem desconsiderar o contexto.
O professor recomenda que os interessados também deem uma olhada no blog/livro de David Weinberger:
www.everythingismiscellaneous.com
Que Obama que nada. Vote Wesch for President!
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PocketMod - Organizador pessoal
13 Março 2008
PocketMod é um gerador de páginas para organizadores pessoais muito bacana. Você monta as páginas que precisa numa interface drag and drop e imprime as páginas para depois dobrar tudo e carregar para onde for.
Muito útil para quem quer se organizar sem ter muito trabalho.
Eventos acadêmicos de design no Brasil em 2008
10 Março 2008
2007 foi um ano excelente em termos de eventos, congressos e encontros de design: WAIU, EBAI, 3º Congresso de Design da Informação da SBDI.
Vários outros encontros de design vão acontecer em 2008. Vale a pena conferir e participar:
» I Congresso Tecnológico InfoBrasil prorroga prazo para submissão de trabalhos
» Chamada de trabalhos para o P&D design 2008 - outubro/2008
» IDEA/Brasil abre inscrições - até março
» 18º N Design Manaus - de 01 a 07/junho/2008
Devem pintar mais encontros. Quem souber primeiro, Grita mais alto.
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Onde vai toda essa gente?
3 Março 2008
Segundo uma matéria da Folha sobre o censo do ensino superior, existem hoje no Brasil 175 mil estudantes de jornalismo. São 5 vezes mais profissionais dos que os que hoje trabalham com carteira assinada em todo o país, que somam 35 mil.
Sem nem discutir o mérito da qualidade destes cursos, a pergunta que me faço é:
Onde vai toda essa gente?
Link da matéria na FSP (restrito para assinantes)
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