“Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas.”
Mário Quintana
O Juliano Spyer (@jasper) é um cara que eu não conheço pessoalmente, mas admiro muito.
O livro de papel dele – Conectado – é muito bom. Recentemente ele organizou um livro digital chamado Para Entender a Internet, igualmente supreendente.
Agora ele liberou no SlideShare uma apresentação refletindo sobre o processo de produção dos dois livros, muito válido para todos nós que planejam, idealizam ou apenas sonham um dia publicar um livro:
Dentre muitas mudanças sociais que a internet vem provocando, umas das que considero mais relevantes a longo prazo para a humanidade é a democratização do acesso à informação e à auto-construção do conhecimento, seja via redes de sites, de pessoas ou redes de interesses similares.
As fases da internet primitiva que vivemos nos anos 90, a bolha do milênio, a web 2.0, tudo isso vai ser apenas história daqui algumas décadas. Mas a informação democrática vai ficar. Acho que esta mensagem é um pouco do pensamento do Juliano por trás desta apresentação.
O Creative Commons está mudando o mundo!
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O Paul Isakson é o cara que criou uma das apresentações mais vistas do SlideShare, com quase 150.000 visualizações. “What’s Next In Marketing & Advertising” ajudou a mudar a forma como as pessoas viam o futuro próximo do Marketing, incluindo aí a mídia, o branding, a web, a TV e o relacionamento com os clientes.
Ele acaba de publicar uma nova apresentação, abordando as mídias sociais.
Para muita gente será somente mais do mesmo, mas é uma abordagem direta e interessante, com boas citações em ordem lógica. Está em inglês, mas o vocabulário é simples, então mesmo que você não seja fluente dá para apreciar o conteúdo.
Invista 5 minutos do seu dia:
Os slides 13 e 16 são especialmente interessantes.
O slide 13 para justificar investimentos cada vez maiores em Search Engine Optimization.
O slide 16 para ajudar quem se acha “de fora do meio” na internet a enxergar de uma vez por todas que a sociedade adotou novos comportamentos com a web, e eles são irreversíveis:
- Nenhuma marca desconhecida poderá crescer sem considerar seriamente a web e as mídias sociais
- É fundamental fazer a gestão da reputação online
- A ética do consumo mudou consideravelmente, as empresas que não tiverem foco de verdade no cliente cedo ou tarde serão desmascaradas e prejudicadas
Mas o insight mais bacana da apresentação do Isakson é este: LISTEN (ESCUTE).
Se a sua empresa acredita que não tem nada a dizer ou não sabe qual é a melhor forma de participar da conversa, pelo menos escute. Certamente exisitirão poderosas dicas e pistas sobre o que os seus clientes realmente querem ou precisam!
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Ler online está nos tornando mais burros?
1 julho 2008
Recebi este artigo do The Atlantic 3 vezes nos últimos dias. Irocanicamente, gravei nos favoritos para ler mais tarde. Só na terceira vez em que recebi a recomendação é que li mesmo o texto.
A primeira recomendação do texto, quando o Nascido me mandou, dizia “texto longo e em inglês, mas vale a pena ler”.
A ironia só teve nexo quando li o texto, que aponta justamente que a forma como lemos online está mudando a capacidade de raciocinar, entender e refletir sobre textos longos e mais profundos.
Este trecho é esclarecedor:
“We are how we read.” Wolf worries that the style of reading promoted by the Net, a style that puts “efficiency” and “immediacy” above all else, may be weakening our capacity for the kind of deep reading that emerged when an earlier technology, the printing press, made long and complex works of prose commonplace. When we read online, she says, we tend to become “mere decoders of information.” Our ability to interpret text, to make the rich mental connections that form when we read deeply and without distraction, remains largely disengaged.
Já este trecho soa estarrecedor:
“Ambiguity is not an opening for insight but a bug to be fixed.”
O entendimento da ciência sobre a cognição ainda é incipiente (apesar de eu não ser neurocientista, estou papagaiando o que se costuma ouvir de amigos que são médicos/psicólogos/psiquiatras), apesar de ter aberto vários caminhos para um melhor entendimento de como funciona o cérebro, mas é um fato que a facilidade de buscar conteúdo online torna as coisas mais convenientes, no entanto isso também dificulta a memorização, a imersão e um entendimento mais completo do assunto pesquisado. Basta um “define:” no Google para seguir em frente.
Tenho cultivado o hábito de grifar (a lápis) os livros que leio, fazendo anotações nas margens para a posteridade. Elas já me foram úteis ao procurar assuntos em livros sem índice remissivo, pesquisar sobre assuntos que li há muito tempo ou relembrar um livro todo só lendo os trechos grifados.
Mas o maior benefício vem justamente da memorização. Quando grifo, acabo lendo o trecho algumas vezes e memorizando a passagem, memória que costuma durar anos ou vir à mente em situações oportunas. Me lembro daquelas dicas de estudo que os cursinhos costumam dar na frase pré-vestibular, quando os professores enfatizavam que escutar, ler e anotar aumenta a probabilidade de entender e a capacidade de memorizar os conteúdos.
Voltando ao artigo, Nicholas Carr atribui no título a “culpa” pela menor capacidade de lermos ao Google, o que ativou um link recente na minha memória: Confidencial: 22 Leis do Google que vazaram. Ao que parece, cada vez mais gente acredita na Teoria da Conspiração: Sergey e Larry querem mesmo dominar o mundo. Muita gente mesmo.
De fato, a facilidade de encontrar informação, armazenar informação e [teoricamente] recuperar esta informação torna nosso cérebro mais preguiçoso. Por isso, considero a reflexão de Carr a citação do ano:
“That’s the essence of Kubrick’s dark prophecy: as we come to rely on computers to mediate our understanding of the world, it is our own intelligence that flattens into artificial intelligence.”
Por isso, recorro ao Wurman para terminar: “Aprender é lembrar o que nos interessa.”
Não leia mais, leia melhor!
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Os 10 mandamentos da nova reputação
6 janeiro 2008
A Reputação na Velocidade do Pensamento é o livro de Mário Rosa sobre a economia da reputação. O título inteligente faz alusão ao clássico de Bill Gates, A Empresa na Velocidade do Pensamento (fora de catálogo, mas disponível via Estante Virtual).
O livro trata sobre o novo ambiente social e as regras de convívio, comportamento, a nova moral e a ética em tempos onde se pode googlar o nome de uma empresa e descobrir sua reputação rapidamente.
Abaixo, os 10 mandamentos da nova reputação:
1. Não desprezarás a tecnologia
A tecnologia não é algo teórico nem distante. Está impregnada em todos os detalhes da vida atual e exige ser compreendida em todos os seus múltiplos impactos sobre a reputação e a imagem pública. Deve estar no topo não só de qualquer planejamento, mas de qualquer forma de pensar o mundo de hoje. Deve, sobretudo, estar refletida em novas ações – e não apenas em novos “diagnósticos”.
2. Romperás com velhos condicionamentos
Fomos criados numa outra Era e somos chamados a interagir com uma realidade em que a lógica é diferente daquela que fomos treinados a entender. Por sermos a primeira geração a enfrentar esse desafio, carregamos condicionamentos ultrapassados em nossa forma de pensar, de avaliar os riscos e de nos posicionarmos diante da nova realidade que surgiu há pouco. Temos que adquirir novos condicionamentos e abandonar aqueles que não funcionam mais.
3. Viverás sempre em público
Deixamos nosso rastro eletrônico praticamente em todo lugar. Mesmo em casa, quando usamos o computador, estamos potencialmente expostos ao olhar de alguém, que pode rastrear nossos passos digitais. No banco, no telefone, na rua, em qualquer lugar temos de entender que todos somos pessoas públicas ou potencialmente públicas, independentemente de nossa posição social. Não existe mais o cidadão comum. Agora somos todos cidadãos incomuns.
4. Obedecerás a uma nova ética
Nova tecnologia significa nova ética, novos conflitos, novas formas de detectar velhas transgressões. Segredos antes invioláveis serão expostos à luz, concordemos ou não. Para evitar transtornos, a melhor atitude é adotar preventivamente uma nova forma de conduta. Não se trata mais de uma opção moralista. Trata-se de uma necessidade concorrencial: num mundo onde o olhar do público está superdemandado por tanta informação, confiar é algo muito mais perigoso e desconfiança é sinônimo de descarte.
5. Não mentirás
Esse é um dos mandamentos que sobreviveram de forma literal, entre aqueles “originais”. Com tantas formas de cruzar informações, com tantos registros que se tornam inevitáveis em nossa forma de viver digital, mentir significa abrir um flanco perigoso e expor-se a um enorme risco de contestação cabal. Há quem julgue ingênuo falar a verdade. Mas ingenuidade crescentemente vai ser imaginar que os outros são todos ingênuos.
6. Serás uma marca
Marcas deixaram de ser empresas. Passaram a ser pessoas. Todos somos marcas e devemos buscar construir um significado claro e positivo perante a percepção alheia. Essa nitidez é ainda mais crucial porque competimos hoje muito mais pela atenção do outro. Uma marca é a expressão de um conceito previamente definido na realidade. Ela fala ao coração; deve despertar um sentimento. E suas virtudes devem estar ligadas a um valor maior que transcenda apenas à qualidade ou à eficiência.
7. Serás mais transparente
A tecnologia decretará a morte de segredos que, no passado, até podiam passar incólumes. O melhor a fazer é se antecipar, porque do contrário quando esses fatos, dados ou atitudes vierem à luz poderão ser vistos como transgressão a normas, ainda mais num momento em que os valores éticos deverão estar em transformação. Será preciso também encontrar novas formas de despertar percepção sobre os compromissos com os valores mais corretos.
8. Não esquecerás o passado
Por vivermos num novo estágio do conhecimento humano e ter de incorporar uma nova forma de lidar com a realidade que se transformou, devemos evitar a tentação de agir como se a História estivesse começando agora. Carregamos muitos condicionamentos de tempos imemoriais e jogá-los fora não é o mais apropriado porque nem todos os condicionamentos antigos deverão ficar desativados. O desafio é encontrar um novo ponto de equilíbrio entre nosso pensar primitivo e o nosso pensar “ponto.com”.
9. Viverás em duas dimensões
Viveremos cada vez mais nossa realidade concreta, mas estaremos crescentemente também vivendo e interagindo com uma outra dimensão: a dimensão da informação em tempo real, que nos transporta para qualquer lugar. Estaremos mais próximos de fatos geograficamente distantes, ao mesmo tempo que distantes de fatos fisicamente ao lado de nós. Se estamos mais próximos dos outros, os outros também estão mais próximos de nós. Principalmente de nossos erros.
10. Aprenderás a ver e a se expor
Uma nova forma de ver implica uma forma nova de ser visto, numa nova forma de se expor. Isso significa que teremos de repensar nossos conceitos sobre exposição e também sobre não exposição. O que antes era de domínio privado pode ser um novo espaço público. Do mesmo modo, o que antes era público, mas nos parecia longe do olhar alheio, agora pode não ser mais. Há uma nova esfera pública na qual teremos de praticar uma nova forma de percepção. Uma nova forma de provocar a percepção nos outros. E uma nova forma de compreender a percepção em nós.
Credibilidade na web, por BJ Fogg
19 dezembro 2007
Em 2005, esta pequisa de BJ Fogg sobre quais aspectos são responsáveis pela credibilidade de um site foi uma excelente notícia para designers, arquitetos de informação e profissionais de webmarketing. Agora achei a apresentação detalhada da pesquisa no SlideShare, que vale “sharear“:
O post original sobre a pesquisa, de maio de 2005:
Uma recente pesquisa feita por B. J. Fogg em conjunto com o Laboratório de Tecnologia Persuasiva de Stanford, publicada na revista Consumer WebWatch, avaliou os fatores que mais contribuem para credibilidade de um site na internet. Foram avaliados 100 sites em 10 diferentes categorias, 2.684 pessoas participaram da pesquisa.
Confira os resultados:
1. Design Look (Design do Site): 46.1%
2. Information Design/Structure (Design da Informação/Estrutura): 28.5% (AKA: Arquitetura da Informação)
3. Information Focus (Foco da Informação): 25.1%
4. Company Motive (Segmento da Empresa): 15.5%
5. Information Usefulness (Utilidade da Informação): 14.8%
6. Information Accuracy (Precisão da Informação): 14.3%
7. Name Recognition and Reputation (Reconhecimento do Nome e Reputação): 14.1%
8. Advertising (Anúncios): 13.8%
9. Information Bias (Parcialidade na Informação): 11.6%
10. Writing Tone (Tom da escrita): 9.0%
Num primeiro contato, mesmo sendo um usuário mais avançado, o que é mais observado é o design. A pesquisa usa o termo credibilidade, portanto a navegação foi além do primeiro contato. Os usuários avaliaram a qualidade dos textos, o segmento de mercado e até mesmo a parcialidade na forma como a comunicação é feita. Ainda assim, o design respondeu por 46% da credibilidade. Traduzindo um miúdos: se você não sabe se comunicar visualmente, você não presta.
Considerando-se que o item Design de Informação/Estrutura pode ser agrupada ao item Design do Site, a soma dos valores alcança quase 65% da credibilidade atribuída pelo usuário ao site. Portanto, dois terços da credibilidade é atribuída à arquitetura da informação e sua representação gráfica.
Isto não significa que se possa ignorar as outras áreas, afinal, por melhor que um site seja, ele não sobreviverá sendo parcial, errando ortografia, divulgando informação imprecisa e zombando da capacidade do usuário.
Um alento para designers e arquitetos de informação!