A Economia da Informação – Livro de Hal R. Varian e Carl Shapiro
2 fevereiro 2011
Livro: A Economia da Informação
Autores: Hal R. Varian e Carl Shapiro
Tempo Estimado de Leitura: 16 horas
Linguagem: Intermediária
Diagramação: Tradicional
Custo-Benefício: Muito bom
Páginas: 397
Editora: Campus
Lido em: Set-Dez/2010
Onde encontrar: Submarino
ou Livraria Saraiva
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A Economia da Informação – Como os princípios econômicos se aplicam à era da internet é um livro de 1999, mas se eu não soubesse disso diria que tem não mais do que 4 ou 5 anos, muito mais pelos exemplos usados do que pelo conceitos abordados. Os exemplos datam da década de 90, o que entrega a idade do livro, mas fora isso, é o livro mais atual que li em 2010.
Nçao bastasse isso, Hal Varian é hoje o economista-chefe do Google. Precisa dizer mais? O cara sabe do que fala. Veja neste vídeo abaixo o homem explicando de forma simples como o intrincado sistema econômico dos Links Patrocinados funciona:
Desde a revolução industrial os modelos econômicos não mudaram muito, apenas se ampliaram ou se encaixaram em novas escalas. Quem pensou que a internet iria mudar isso precisa ler este livro! Uma economia baseada em informação e não em produtos alcança escalas antes inimigináveis em pouquíssimo tempo, estão aí Microsoft, Wikipedia, Google, Facebook e Twitter para provar. Fundamentalmente, o processo econômico por trás do sucesso é o mesmo, a escala é que mudou.
O livro dá todas as respostas das quais a indústria da música precisava 10 anos atrás, época do boom do Napster. Uma pena é que esta mesma indústria simplesmente não quis fazer estas perguntas. Ou não se importou com as respostas.
O conceito principal que apóia o livro são os custos de produção e distribuição da informação.
Os custos de produzir informação são altos, mas os custos de distribuição são relativamente baixos. Produzir a primeira versão de um software é muito caro, mas produzir cada cópia dele tem um custo marginal diminuto, quase irrisório. Distribuir pela internet gera um custo muito próximo de zero.
Por isso Varian e Shapiro defendem que o preço a ser cobrado do consumidor da informação seja calculado com base no valor, não no custo de produção. Aqui aparece um ponto interessante para profissionais de marketing: discutir preço e valor baseado na utilidade para o cliente, não no custo de produção (alguém gritou iPod aí?).
Parece óbvio hoje, mas a bolha do mercado financeiro na internet estourou em 1999 justamente porque ninguém sabia (ou queria saber, para aproveitar a especulação) fazer esta conta. Ainda hoje os jornais estão experimentando modelos online de remuneração pelas informações que produzem. Você pode ler mais sobre isso no post A Declaração de Hamburgo mira no alvo errado.
Varian e Shapiro desenvolvem conceitos econômicos como o aprisionamento (quanto maiores os custos de troca de uma tecnologia para outra, menores as chances da troca ocorrer) e a exterioridade de rede (quanto maior uma rede de tecnologia de informação, maior o seu valor para si e para os outros usuários). O também conhecido ciclo de feedback positivo é o processo pela qual o valor da exterioridade de rede aumenta ou diminui.
Os autores demonstram que diferentes estratégias de precificação podem e devem ser usadas em momentos específicos. Para abrir um mercado, pode-se adotar um preço mais agressivo até que se atinga uma posição dominante e depois disso tirar vantagem do aprisionamento dos consumidores, dentro dos limites da lei. Pensou na TV a cabo, na banda larga, nos celulares? É isso mesmo! Primeiro as empresas “aprisionam”, depois gozam de grandes margem de lucro (e da cara do consumidor também!.
Outro conceito econômico muito relevante é que diferentes clientes veem diferentes valores na informação. Clientes amadores podem experimentar o acesso gratuito aos dados da Bolsa de Valores com atraso de 20 minutos, já profissionais e investidores maiores pagarão pelo acesso em tempo real.
Clientes que usam o Dropbox gratuito experimentam suas vantagens sem custos. Quando a necessidade aumenta, podem se dispor a pagar pelo produto. A versão mais básica é gratuita, a intermediária tem um custo X e a versão top de linha tem um custo atrativo, ainda que superior à versão intermediária.
Este tipo de estratégia diferencia o produto de acordo com a escala de uso e o valor gerado para o cliente. É economês puro, mas tem tudo haver com marketing profissional de qualidade.
Dividido em capítulos longos e detalhados, o livro é bastante denso, mas não é difícil de acompanhar. Os autores aproveitam para cruzar informações entre os capítulos, oferencendo um aprofundamento gradual conforme o leitor vai conhecendo os conceitos econômicos e seus usos na era digital.
Quando abordam os Direitos Autorais, Varian e Shapiro fazem observações bastante pertinentes sobre a dificuldade da legislação acompanhar as mudanças na sociedade.
O livro mostra, por exemplo, o comportamente radical (e doentio) da Disney, processando creches e acampamentos que usavam seus personagens, músicas e temas. Reivindicar Direitos Autorais é uma coisa, mas processar os próprios clientes é um tanto quanto idiota. Quer dizer, é bem idiota. A turma do rato orelhudo não precisa disso para se manter líder de share of market. Mas depois destas histórias, o meu share of heart com a Disney é zero.
Mas essa é só uma das muitas histórias que ilustram os conceitos de economia da informação do livro. Ao trazer a visão econômica para o mundo do marketing, fica ainda mais evidente que é preciso pensar em termos de Marketing 3.0. Mas valores, menos discurso.
Num mundo em que muitos modelos de negócio suspeitos surgem o tempo todo e muita gente diz ter receitas milagrosas para fazer dinheiro, a maior empresa de mídia do mundo, o Google, fatura com um modelo econômico que cruza 2 extremos: o preço mais baixo possível de se praticar (os centavos) e a escala mais massiva possível no planeta terra: bilhões de pessoas por dia.
Não é à toa que Hal Varian é o economista-chefe do Google. O homem soube ajudar o Google a construir um modelo de faturamento genial, numa escala até então inexistente. É ler o livro para entender como!
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Vai fundo! Gary Vaynerchuk – Livro sobre Mídias Sociais
17 janeiro 2011
Livro: Vai Fundo!
Autor: Gary Vaynerchuk
Subtítulo: O Guru das Mídias Sociais Ensina a Como Ganhar Dinheiro Fazendo o que Você Gosta
Tempo Estimado de Leitura: 4 horas
Linguagem: Simples
Diagramação: Tradicional
Custo-Benefício: Razoável
Páginas: 190 (tirando as páginas em branco e títulos, dá umas 160 na verdade)
Editora: A Negócios
Lido em: Dez/2010
Onde encontrar: Submarino![]()
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Sinceramente, eu esperava mais. Bem mais. Li comentários sobre este livro em 2 blogs diferentes no mesmo dia, ambos elogiando bastante o livro e achei que a coincidência não era à toa, resolvi ler. Começa bem mal, melhora bastante no meio e termina morno. Não sou dos mais exigentes, mas os comentários criaram uma expectativa exagerada sobre o livro.
Para começar, a qualidade de impressão da Editora A Negócios deixou a desejar (A Negócios parece ser uma marca da Nova Fronteira/Ediouro, pelo que consta junto ao ISBN do livro). Várias páginas estão fora de esquadro, impressas com 2 a 4 graus de inclinação. Duas folhas vieram grudadas, tive que passar uma régua para cortá-las. A laminação da capa também é de baixa qualidade, já veio soltando nas bordas.
Gary Vaynerchuk, autor do livro, é um veideoblogger de bastante sucesso nos Estados Unidos, o WineLibrary.tv. Com mais de 800.000 seguidores no Twitter, Vaynerchuk começou aos 16 anos trabalhando na loja de bebidas de seu pai e depois da maioridade resolveu fazer a loja crescer, se tornando uma referência no setor de vinhos nos Estados Unidos. A contracapa do livro diz que ele começou do zero, mas o próprio livro desmente esta afirmação e explica como de fato as coisas ocorreram.
Vai Fundo! soa muito mais como um livro de auto-ajuda no início do que um livro sobre mídias sociais. Todo o blablabla motivacional dos primeiro e segundo capítulos é totalmente dispensável. É um teste severo sobre quanto ego você suporta de um autor.
Por conta disso, se você quer aprender alguma coisa como fazer um blog de sucesso, comece a ler o livro na página 43, início do capítulo 3. Tenho extrema dificuldade em pular capítulos, fico com a sensação de não ter realmente lido o livro, mas ao menos metódicos e neuróticos recomendo fortemente ler só o que interessa.
Tirando os problemas na impressão e o comece auto-ajuda mequetrefe, o resto do livro passa bem. É fácil de ler e tem uma linguagem bem simples mesmo, os capítulos passam numa velocidade bem rápida.
Vaynerchuk insiste em frisar que qualquer pessoa que queira criar uma marca pessoal e falar sobre um tema deve fazer isso com paixão e muita dedicação, que demora anos até que os resultados comecem a aparecer e que o sucesso não significa ficar rico, mas que dá para ganhar algum dinheiro depois de muito esforço.
A metodologia dele é bem clara: comece escolhendo um assunto sobre o qual falaria a vida toda, produza bastante conteúdo bom, crie uma comunidade, faça com que sua marca seja relevante, vá em frente. No apêndice A, o autor retoma o passo a passo que propõe, com cerca de 18 passos. Sinceramente, alguém menos paciente pode ler só esta parte e já terá entendido a proposta do livro todo.
Considerando que é um livro fácil de ler, que não consome mais do que 4 ou 5 horas e custa na faixa de R$ 20,00, é uma leitura recomendada para iniciantes no mundo do conteúdo digital, dos blogs e das redes sociais. Se você trabalha com isso há mais de 1 ano, vai tirar pouco proveito do livro. Se trabalha há mais de 2 anos, vai aproveitar muito pouco.
Mas se você trabalha numa empresa que quer se lançar no universo das redes sociais e produzir conteúdo, este livro é para você e os profissionais que vão cuidar do seu conteúdo.
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PS: Ganhei o livro de presente no amigo secreto, da Zizi. Obrigado pelo presente!
As melhores resenhas de livros de 2010
3 janeiro 2011
2010 foi produtivo em termos de leituras. Não deu para resenhar tudo, mas o que deu já valeu a pena. Fiz um pequeno ranking das melhores resenhas:
2. A Grande Mudança – Nicholas Carr
3. A Lógica do Cisne Negro – Nassim Nicholas Taleb
4. A Vida Social da Informação – John Seely Brown e John Dugrid
6. Autenticidade – James H. Gilmore e B. Joseth Pine
7. Google – David Vise e Mark Malseed
Veja também esta lista de livros de SEO em português, com mais de 10 livros, muitos dos quais já resenhei.
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Conectado – Juliano Spyer – Resenha do livro
21 novembro 2010
Autor: Juliano Spyer
Subtítulo: O que a internet fez com você e o que você pode fazer com ela
Tempo Estimado de Leitura: 12 horas
Linguagem: Simples
Diagramação: Tradicional
Custo-Benefício: Muito bom
Páginas: 254
Editora: Zahar Editor
Lido em: Jun a Nov/2010
Onde encontrar: Submarino![]()
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Muita gente talvez conheça o Juliano Spyer pelo seu Twitter: @jasper, que tem mais de 5.000 seguidores, ou pelo livro digital Para Entender a Internet, que é um case de e-book brasileiro, com cerca 3.000 downloads na primeira semana.
Mas o trabalho dele com a internet e a interação com mídias sociais é anterior à explosão do Twitter (2007/08 nos EUA e 2009/10 no Brasil) e anterior ao Para entender…, e é sobre esta experiência reunida ao longo dos anos que este livro trata.
Conectado é um livro sobre a internet. Sobre TUDO na internet. Sobre interação, mídia, colaboração, pessoas, vídeos, conteúdo, jornalismo, futuro, enfim, de tudo um pouco, com a profundidade necessária para não deixar alguém mais escolado com tédio ou por outro lado deixar um iniciante boaindo. É na medida.
Quando conheci o trabalho do Juliano, nem sabia que ele já havia publicado o livro. Mas quando entrei no site da Editora Zahar e vi o livro lá, decidi comprá-lo antes de saber qualquer outra informação à respeito.
Explico: anos atrás li um livro excelente chamado Guerra & Vinho (resenha aqui no blog), um livro-reportagem sobre como os franceses enconderam seus melhores vinhos dos nazistas durante a II Guerra Mundial (é um livro excelente e uma puta dica de presente de Natal, aliás).
Guerra & Vinho também foi publicado pela Zahar, fiquei admirado com a qualidade do livro, não só editoral mas gráfica: tradução esmerada, impressão primorosa, papel de alta qualidade e uma capa que se multiplica por dentro do livro. A partir daí comecei a sempre olhar com mais cuidado os livros publicados pela Zahar, entendendo que não publicam qualquer coisa, é preciso ter um bom livro para ser publicado por eles. Quando vi que o Juliano havia sido editado pensei: “este livro deve ser bom!”
Não deu outra: o livro é bom mesmo.
Comecei a lê-lo ano passado, mas parei por conta de outras leituras e projetos. Numa viagem em junho retomei e fui lendo aos poucos. Só terminei agora em novembro, por razões pessoais. Por isso o consumo de horas apontado acima está meio exagerado, lendo de uma tacada só dá para ler bem mais rápido.
Dividido em 18 capítulos, Conectado é a reunião da experiência do autor com dezenas de projetos na internet desde os anos 90.
O livro é dividido em 3 partes e seus capítulos auto-explicativos:
- Teoria e Tecnologia
- De muitos para muitos
- Economia da colaboração
- Chats e comunicadores instantâneos
- Fóruns e listas de discussão
- Blog e wiki
- Agregadores de conteúdo, folksonomia e networking social
- Algoritmos sociais e automoderação
- Prática
- Cultivando comunidades virtuais
- Breve introdução à “ciência oculta” da produção de sites
- Cross-mídia – conectando rádio e internet
- Sugestões para projetos colaborativos
- Casos e Debates
- Teoria posta em prática
- Causas Sociais, ativismo e governança
- Negócios em rede
- Existe educação colaborativa?
- Impactos da rede na mídia
- Efeitos colaterais da sociedade interconectada
- Internet – destino ou desafio?
A experiência com os projetos Leia Livro e Viva São Paulo (entre outros) fez do Juliano o cara certo para falar sobre mídias sociais, mas não com aquele enfoque batido que só usa mídias sociais para falar de… mídias sociais. A análise vai mais fundo e descreve como a web realmente afeta as relações entre as pessoas e como faz isso numa escala gigantesca.
Apesar de ser um livro impresso, com todos os custos de produção, direitos autorais e edição que isso gera, é um livro muito “código aberto”.
O capítulo de sugestões de projetos tem várias idéias ótimas que qualquer um pode usar como referência para seus próprios projetos.
É um ótimo ponto de partida para quem entender melhor os conceitos de web 2.0, Creative Commons, economia da informação, inclusão digital, colaboração, reputação online, presença digital e muitos outros, mas não sabe onde entender tudo isso num só lugar, num só livro, de uma vez por todas.
No final, caso ainda fiquem dúvidas, há um amplo glossário e notas de leitura, além de indicações de outros livros de referência sobre temas similares.
Lá no início do livro, o autor deixa claro: o livro não é fruto de uma pesquisa acadêmica nem se dá ao luxo de usar as referências de um jeito muito formal, mas no final da contas, dá sim para usá-lo como uma boa referência quando se trata de explicar fenômenos e variados aspectos da vida online.
É uma grande leitura que justifica o subtítulo: O que a internet fez com você e o que você pode fazer com ela. Livrasso!
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PS: os elogios à Editora são sinceros ok? Este NÃO é um post patrocinado!
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A Grande Mudança – Nicholas Carr – Resenha do livro
8 novembro 2010
Autores: John Seely Brown & Paul Dugrid
Tempo Estimado de Leitura: 10 horas
Linguagem: Intermediária
Diagramação: Tradicional
Custo-Benefício: Muito bom
Páginas: 284
Editora: Makron Books
Lido em: Ag0-Set/2010
Onde encontrar: Submarino![]()
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John Seely Brown foi durante muito tempo o homem à frente do PARC da Xerox, um dos mais bem sucedidos laboratórios de pesquisa e inovação tecnológica no mundo.
Dugrid é professor do Centro de Estudos Sociais e Culturais da Universidade de Berkeley e foi parceiro de Brown em alguns projetos, inclusive neste livro.
Brown é um grande contador de histórias. E além disso, ele tem muitas boas histórias para contar. Brown viu de perto muitas revoluções informacionais e tecnológicas do século XX acontecerem debaixo do seu nariz: a evolução da tecnologia da fotocópia (A.K.A. “xerox”), a invenção do mouse e da interface gráfica do computador (conhecida pelos insiders como Graphic User Interface ou apenas GUI).
Além de dirigir o PARC (Palo Alto Research Center) enquanto estas coisas aconteciam, ele viu os executivos da Xerox enfiarem várias destas inovações na gaveta e seus cientistas vendo-as escorrerem por entre os dedos.
O mouse e a interface gráfica decolaram quando o então iniciante empresário Steve Jobs as levou para a Apple e junto com Steve Wozniak criou uma versão de computador pessoal amigável e com interface gráfica avançada, dando início ao que no meio da década de 80 faria da Apple um sucesso. Não fosse e o Windows também não teria sido derivado do mesmo conceito e se popularizado mundialmente, fazendo da Microsoft uma gigante tecnológica e de Bill Gates um dos homens mais ricos do mundo.
Neste livro Brown conta estas histórias do ponto de vista de quem estava lá e viu como a forma das pessoas lidarem com a informação permitiu que as coisas acontecessem de uma forma ou de outra.
O livro começa sintonizando o leitor na discussão sobre a tal “Era da Informação” (tem gente que gosta de chamar de “Era do Conhecimento”, mas falta muito para a humanidade chegar lá). Logo no primeiro capítulo os autores fazem uma valiosa referência a Alvin Toffler, complementando a visão da terceira onda no que chamam da Visão 6-D. Estamos vivendo uma época de mudanças sócio-culturais profundas e muito rápidas, experimentando seis fenômenos infocêntricos:
- desmassificação
- descentralização
- desnacionalização
- despacialização
- desintermediação
- desagregação
Estas palavras representam forças desencadeadas pela tecnologia da informação que fragmentam a sociedade, centrando as transformações em duas bases da sociedade: o indivíduo e a informação. Mais à frente, os autores fazem análises mais profundas da desintermediação, o fenômeno que permite que uma vez que as pessoas tenham acesso a informação possam se tornar menos dependentes de intermediários, o que possibilitaria a conexão direta entre criadores de produtos informacionais (jornalistas, músicos, escritores, produtores) e os consumidores destes produtos.
Brown e Dugrid não chegam a fazer juízo de valor se isto é bom ou ruim, mas analisam o fenômeno do ponto de vista da circulação da informação: como ela é gerada, como se propaga, como se armazena, como é recuperada (para um juízo de valor sobre a desintermediação e a produção descentralizada na internet, sugiro a leitura de O Culto do Amador).
Interessante é que, como ambos são pesquisadores e professores, o livro discute também com propriedade como as pessoas aprendem na prática.
Um dos muitos exemplos usados no livro é do aprendizado organizacional dentro dos escritórios, que acontece de forma orgânica e muitas vezes informal, razão pela qual grande parte dos projetos de gestão de conhecimento falha: foca num aprendizado linear, teórico, rígido e tecnicista, ao invés de abordar o aprendizado experimental, mais socializado e menos infocentrista, que permite que os conhecimentos sejam em parte transmitidos pela história contada, pela experiência vivida, compartilhando o caminho e não só o resultado. Daí é que vem o título do livro: a informação como um bem social.
O capítulo 4 é dedicado ao confronto dos processos planejados com a prática diária: como a informação é percebida na prática e como as pessoas aplicam sua experiência prática para lidar com processos planejados num mundo idealizado, estático, perfeito. É um dos pontos altos do livro.
O capítulo 5 é dedicado ao aprendizado: na teoria e na prática. Contando casos reais de como empresas como Xerox e a HP lidaram com questões de gestão do conhecimento, os autores analisam erros e acertos na gestão dos processos informacionais que fazem parte do cotidiano das empresas: como reter informações, conhecimentos e experiências dentro das empresas? Ao tentar fazê-lo sem considerar o elemento humano como fator principal, o mundo corporativo falha neste quesito.
Do meio para o final do livro, a discussão recai sobre a educação. A forma como a sociedade trata a educação, a transformação de universidades em “fábricas” de diplomas e os desafios de se educar para lidar com a informação.
É um livro completo, abrangente e muito bem escrito. O tipo de obra de referência que qualquer estudante de Graduação poderia ler e qualquer um de Pós-Graduação deveria ler.
Só de Notas de Pesquisa, Bibliografia e Referências a outros textos o livro tem 49 páginas: da 225 à 274. É um volume enorme de referências de alta qualidade que os autores fazem questão de citar, indicar e comentar no final do livro. Daria para ficar alguns meses só lendo as referências.
É um livro ótimo e apesar de tudo, fácil de entender e de gostar. Para qualquer um que se interesse por ciência da informação e todas as áreas correlatas, é um livro fundamental. E para quem quer entender melhor este mundo de excesso de informação, é um excelente leitura. Não é um livro barato, mas vale cada centavo!
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10 livros para ler (em breve)
3 junho 2010
Ando colecionando indicações de bons livros sobre comunicação, teoria da informação e comportamento humano.
Tá difícil escolher pode onde começar. Alguém tem alguma sugestão?
Além da Disrupção: Mudando as Regras do Mercado
JEAN-MARIE DRU
A Economia da Informação
CARL SHAPIRO e HAL VARIAN (economista chefe do Google)
Mutações da Cultura Midiática
HEROM VARGAS
Previsivelmente Irracional
DAN ARIELY (indicação do Rodolfo Araújo)
Planejamento Estratégico Digital
FELIPE MORAIS
A Vida Social da Informação
JOHN SEELY BROWN
O Futuro da Inovação
CLAYTON M. CHRISTENSEN
A Grande Mudança
MICHOLAS CARR
Futuros Imaginários: Das Máquinas Pensantes à Aldeia Global
RICHARD BARBROOK
O Andar do Bêbado: Como O Acaso Determina Nossas Vidas
LEONARD MLODINOW
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O resumo deste livro mudou de endereço: Livro A Lógica do Cisne Negro – Nassim Nicholas Taleb.
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Livro: Google – David Vise e Mark Malseed (Resenha)
22 março 2010
Subtítulo: A História do Negócio de Mídia e Tecnologia de Maior Sucesso dos Nossos Tempos
Autor: David Vise e Mark Malseed
Tempo Estimado de Leitura: 11 horas
Linguagem: Simples
Diagramação: Tradicional
Custo-Benefício: Muito Bom
Páginas: 349
Editora: Rocco
Lido em: Jan-Fev/2010
Onde encontrar: Submarino![]()
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Google – A História do Negócio de Mídia e Tecnologia de Maior Sucesso dos Nossos Tempos é um livro muito bem escrito. Vise é ganhador de um prêmio Pulitzer (o prêmio máximo do jornalismo) e jornalista no Washington Post, que patrocinou o processo de pesquisa e produção do livro. Malseed foi seu assistente de pesquisa e co-autor, conduzindo o processo de busca de informações e grande parte das entrevistas.
O livro é dividido em 26 capítulos, cada um contando uma história específica, revelando aspectos da personalidade de Larry Page e Sergey Brin, a formação da cultura corporativa do Google e os pensamentos por trás de decisões que moldaram a empresa como a conhecemos hoje.
O livro aborda o início em Stanford na sala Gates 360, o encantamento de Larry e Sergey pelo Festival Burning Man, a contratação de Eric Schmidt como CEO, a abertura de capital na bolsa, os problemas para entrar na China, o acordo com a AOL na Europa (“roubado” do Yahoo! na última hora), além de um capítulo inteiro sobre Charlie Ayers, o primeiro chef do Google e um dos grandes responsáveis pela cultura única da empresa.
Algumas passagens são tão precisas e vívidas que parece que se está ouvindo alguém que realmente viveu a história contando memórias reais.
O livro conta também a história de Matt Cutts dentro do Google, no capítulo O cara do biscoito pornô. Cutts foi quem desenvolveu o filtro SafeSearch do Google, que permite aos usuários fazer buscas sem correr o risco de ver pornografia nos resultados. Hoje Matt Cutts é o principal Relações Públicas do Google, fazendo o papel de embaixador da marca para a comunidade de tecnologia em geral (principalmente Webmasters e profissionais de SEO).
Em comparação com o livro Google de Janet Lowe, achei este aqui melhor. Em comparação com A Busca do John Battelle, é mais específico porque fala só do Google, mas é menos técnico, abordando o ponto de vista histórico e não o mercado de busca, como fez Battelle.
Para quem quer conhecer o Google por dentro mas não pode ir a Mountain View, este livro é uma boa pedida.
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Livro: A Busca – John Battelle
5 janeiro 2010
Autor: John Battelle
Tempo Estimado de Leitura: 11 horas
Linguagem: Intermediária
Diagramação: Tradicional
Custo-Benefício: Excelente
Páginas: 271
Editora: Campus
Lido em: Nov-Dez/2009
Onde encontrar: Submarino![]()
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A Busca não é só um livro sobre o Google, é o melhor e mais completo livro-reportagem sobre o Google e o mercado de buscas. Isso tem uma explicação relativamente simples: John Battelle é um dos fundadores da cultuada revista Wired e cobre o mercado de tecnologia há muitos anos, gozando de uma excelente reputação no mercado, o que certamente facilitou os contatos para a pesquisa e produção do livro.
Este é aquele tipo de livro que depois que você começa não consegue mais parar de ler. Cada capítulo abre um universo novo e relata os acontecimentos num nível de detalhes que só um repórter muito competente consegue reunir. A narrativa é envolvente e flui muito bem, parece que se está vendo um filme. Outras passagens são mais reflexivas, nas quais Battelle discute comportamentos das pessoas, tendências e faz até exercícios de futurologia (aliás, ele acertou boa parte das futurologias – o cara é bom mesmo).
Foram dezenas de entrevistas para produzir o livro, além de acordos com os fundadores do Google para conseguir a atenção e extrair deles as informações necessárias para costurar a história do mercado de buscas de antes da bolha até 2004, quando o livro foi publicado.
Battelle comenta, entre outras curiosidades, a origem do lema “Don’t be evil” do Google, além de discutir os labirintos a que isso levou o Google quando da entrada no mercado chinês, no qual os resultados de busca são censurados. Há um capítulo inteiro sobre o Google na China, a censura, as questões éticas e sinucas nas quais o Google se meteu ao adotar uma postura de empresa que não quer fazer o mal, mas que se vê “obrigada” a acatar contra-medidas para poder atuar num mercado fechado, ditatorial e onde há censura explícita e falta de liberdade de expressão.
Neste ponto, A Busca é um livro muito maduro e que faz o leitor mergulhar em questões sociais, éticas, comerciais, tecnológicas e culturais, mostrando como a existência da busca mudou nossa visão do mundo e nossa postura frente ao consumo de informações na sociedade contemporânea.
Olhando agora, no início de 2010, parece que um livro sobre o Google publicado há mais de 5 anos pode estar desatualizado, mas ao ler a impressão é exatamente oposta: cada página parece ter sido escrita ontem, se muito.
Para quem trabalha com SEM, SEO ou só com internet mesmo, é um livro indispensável. Faz olhar as coisas com uma visão mais crítica, mais madura e mais abrangente.
A Busca é leitura obrigatória para profissionais de web que queiram estar atualizados e conhecer as histórias por trás da empresa que ajudou a moldar o começo do novo século. Eu recomendo, sem sombra de dúvida.
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Twitada original sobre “A Busca” do John Battelle.
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Livro: O Culto do Amador – Andrew Keen
4 janeiro 2010

Autor: Andrew Keen
Tempo Estimado de Leitura: 6 a 7 horas
Linguagem: Intermediária
Diagramação: Tradicional
Custo-Benefício: Muito bom
Páginas: 207
Editora: Zahar (Jorge Zahar Editor)
Lido em: Out/2009
Onde encontrar: Submarino![]()
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O Culto do Amador é um livro perturbador, revoltante e inquietante. É impossível lê-lo do começo ao fim e não passar por – pelo menos – um destes sentimentos. Sem dúvida, prova a capacidade editorial da Editora Zahar, que já publicou também “Conectado” do Juliano Spyer, “Ética, Jornalismo e Nova Mídia” de Caio Túlio Costa e “Cultura da Interface“, de Steven Johnson. É preciso um bom projeto editorial para publicar certos títulos e encontrar o público certo para eles.
Quase larguei o livro pela metade e botei pra vender na Estante Virtual, tamanha a minha decepção até que o livro chegasse ao ponto de mostrar argumentos razoáveis. Ainda bem que engoli seco e fui até o fim.
Na primeira metade do livro, Andrew Keen, um empreendedor da internet e ex-entusiasta da web 2.0, destila seu veneno contra a web 2.0 e parece ser apenas um preconceituoso revoltado que está nadando contra a corrente só para parecer diferente e receber atenção. Alguns trechos são especialmente bizarros, como este:
“Os jornalistas-cidadãos simplesmente não têm os recursos necessários para nos trazer notícias confiáveis. Falta-lhes não somente expertise e formação, mas relações e acesso à informação. Afinal, um CEO ou um político pode se recusar a colaborar com o cidadão médio, mas seria um tolo caso se recusasse a atender ao telefonema de um repórter ou editor do Wall Street Journal em busca de um comentário sobre uma notícia extraordinária.”
Visto às cegas, parece mais um daqueles argumentos sobre como blogs não são relevantes frente ao jornalismo da grande mídia ou sobre blogueiros não terem capacidade para escrever como jornalistas profissionais. Sobre esta discussão, aliás, é fundamental ler as cartas entre Steven Johnson, um dos pioneiros da internet, e Paul Starr, Prêmio Pulitzer e professor de sociologia em Princeton, nas quais travam um debate acirrado sobre o futuro do jornalismo e o acesso à informação.
Outro fato que se cruza com a publicação de O Culto do Amador foi a polêmica Declaração de Hamburgo (sobre este assunto, escrevi um texto sobre a Declaração de Hamburgo no WebInsider), documento de intenções publicado por um grupo de grandes jornais contra os agregadores de conteúdo, como o Google News e o Yahoo! News. A Declaração de Hamburgo mira no alvo errado, já Andrew Keen mira no alvo certo, mas exagera no calibre.
É certo que a internet teve uma influência fundamental no declínio da indústria da música (A Indústria Fonográfica se Merece!) e que a há uma gigantesca mudança de valores em curso, que atinge diferentes países e diferentes classes sociais em tempos e profundidades diferentes, mas atribuir a “culpa” destas mudanças somente à internet é um tanto superficial.
O que Keen faz é desdobrar os argumentos tradicionais e preconceitos em dados e tentar trazer senso à discussão. Para quem é profissional de internet, entusiasta das novas mídias, usuário de redes sociais e está acostumado ao discurso da web 2.0, os argumentos de Keen dóem um pouco.
Alguns exemplos usados soam superficiais ou forçados, porque poderiam ter ocorrido com ou sem a existência da internet, como o adolescente viciado em jogos online. Sem a web, ele provavelmente teria ido jogar em outros lugares, como fazem no mundo todo outros milhares de viciados em jogo que não tem intimidade com a web.
No final, Keen aborda inclusive questões como segurança das crianças ao navegar e a formação de uma cultura de “burrice coletiva”, argumentos que vale a pena entender e sobre os quais vale refletir, ainda que não se concorde com eles.
Não dá para negar que é um livro chato, mas é essencial. Se puder, quiser e agüentar, leia. Para mim valeu a pena.
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“Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas.”
Mário Quintana
O Juliano Spyer (@jasper) é um cara que eu não conheço pessoalmente, mas admiro muito.
O livro de papel dele – Conectado – é muito bom. Recentemente ele organizou um livro digital chamado Para Entender a Internet, igualmente supreendente.
Agora ele liberou no SlideShare uma apresentação refletindo sobre o processo de produção dos dois livros, muito válido para todos nós que planejam, idealizam ou apenas sonham um dia publicar um livro:
Dentre muitas mudanças sociais que a internet vem provocando, umas das que considero mais relevantes a longo prazo para a humanidade é a democratização do acesso à informação e à auto-construção do conhecimento, seja via redes de sites, de pessoas ou redes de interesses similares.
As fases da internet primitiva que vivemos nos anos 90, a bolha do milênio, a web 2.0, tudo isso vai ser apenas história daqui algumas décadas. Mas a informação democrática vai ficar. Acho que esta mensagem é um pouco do pensamento do Juliano por trás desta apresentação.
O Creative Commons está mudando o mundo!
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