Livro Conectado - Juliano SpyerAutor: Juliano Spyer
Subtítulo: O que a internet fez com você e o que você pode fazer com ela
Tempo Estimado de Leitura: 12 horas
Linguagem: Simples
Diagramação: Tradicional
Custo-Benefício: Muito bom
Páginas: 254
Editora: Zahar Editor
Lido em: Jun a Nov/2010
Onde encontrar: Submarino

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Muita gente talvez conheça o Juliano Spyer pelo seu Twitter: @jasper, que tem mais de 5.000 seguidores, ou pelo livro digital Para Entender a Internet, que é um case de e-book brasileiro, com cerca 3.000 downloads na primeira semana.

Mas o trabalho dele com a internet e a interação com mídias sociais é anterior à explosão do Twitter (2007/08 nos EUA e 2009/10 no Brasil) e anterior ao Para entender…, e é sobre esta experiência reunida ao longo dos anos que este livro trata.

Conectado é um livro sobre a internet. Sobre TUDO na internet. Sobre interação, mídia, colaboração, pessoas, vídeos, conteúdo, jornalismo, futuro, enfim, de tudo um pouco, com a profundidade necessária para não deixar alguém mais escolado com tédio ou por outro lado deixar um iniciante boaindo. É na medida.

Quando conheci o trabalho do Juliano, nem sabia que ele já havia publicado o livro. Mas quando entrei no site da Editora Zahar e vi o livro lá, decidi comprá-lo antes de saber qualquer outra informação à respeito.

Explico: anos atrás li um livro excelente chamado Guerra & Vinho (resenha aqui no blog), um livro-reportagem sobre como os franceses enconderam seus melhores vinhos dos nazistas durante a II Guerra Mundial (é um livro excelente e uma puta dica de presente de Natal, aliás).

Guerra & Vinho também foi publicado pela Zahar, fiquei admirado com a qualidade do livro, não só editoral mas gráfica: tradução esmerada, impressão primorosa, papel de alta qualidade e uma capa que se multiplica por dentro do livro. A partir daí comecei a sempre olhar com mais cuidado os livros publicados pela Zahar, entendendo que não publicam qualquer coisa, é preciso ter um bom livro para ser publicado por eles. Quando vi que o Juliano havia sido editado pensei: “este livro deve ser bom!”

Não deu outra: o livro é bom mesmo.

Comecei a lê-lo ano passado, mas parei por conta de outras leituras e projetos. Numa viagem em junho retomei e fui lendo aos poucos. Só terminei agora em novembro, por razões pessoais. Por isso o consumo de horas apontado acima está meio exagerado, lendo de uma tacada só dá para ler bem mais rápido.

Dividido em 18 capítulos, Conectado é a reunião da experiência do autor com dezenas de projetos na internet desde os anos 90.

O livro é dividido em 3 partes e seus capítulos auto-explicativos:

  • Teoria e Tecnologia
    • De muitos para muitos
    • Economia da colaboração
    • Chats e comunicadores instantâneos
    • Fóruns e listas de discussão
    • Blog e wiki
    • Agregadores de conteúdo, folksonomia e networking social
    • Algoritmos sociais e automoderação
  • Prática
    • Cultivando comunidades virtuais
    • Breve introdução à “ciência oculta” da produção de sites
    • Cross-mídia – conectando rádio e internet
    • Sugestões para projetos colaborativos
  • Casos e Debates
    • Teoria posta em prática
    • Causas Sociais, ativismo e governança
    • Negócios em rede
    • Existe educação colaborativa?
    • Impactos da rede na mídia
    • Efeitos colaterais da sociedade interconectada
    • Internet – destino ou desafio?

A experiência com os projetos Leia Livro e Viva São Paulo (entre outros) fez do Juliano o cara certo para falar sobre mídias sociais, mas não com aquele enfoque batido que só usa mídias sociais para falar de… mídias sociais. A análise vai mais fundo e descreve como a web realmente afeta as relações entre as pessoas e como faz isso numa escala gigantesca.

Apesar de ser um livro impresso, com todos os custos de produção, direitos autorais e edição que isso gera, é um livro muito “código aberto”.

O capítulo de sugestões de projetos tem várias idéias ótimas que qualquer um pode usar como referência para seus próprios projetos.

É um ótimo ponto de partida para quem entender melhor os conceitos de web 2.0, Creative Commons, economia da informação, inclusão digital, colaboração, reputação online, presença digital e muitos outros, mas não sabe onde entender tudo isso num só lugar, num só livro, de uma vez por todas.

No final, caso ainda fiquem dúvidas, há um amplo glossário e notas de leitura, além de indicações de outros livros de referência sobre temas similares.

Lá no início do livro, o autor deixa claro: o livro não é fruto de uma pesquisa acadêmica nem se dá ao luxo de usar as referências de um jeito muito formal, mas no final da contas, dá sim para usá-lo como uma boa referência quando se trata de explicar fenômenos e variados aspectos da vida online.

É uma grande leitura que justifica o subtítulo: O que a internet fez com você e o que você pode fazer com ela. Livrasso!

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PS: os elogios à Editora são sinceros ok? Este NÃO é um post patrocinado!

Gostou, quer mais dicas de leitura? Siga-me no Twitter: @RafaelROliveira

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Social Media Brasil logo

O Social Media Brasil foi bem bacana.

Encontrei e conheci muita gente por lá, entre eles a Alê Mazzarioli que conheci num curso da Jump. A Alê me apresentou a Andrea Santos, que também é de Uberlândia. De Minas também o Fabio Ricotta, da MestreSEO. Também o Paulo Rodrigo Teixeira do Marketing de Busca, gente finíssima e o Daniel Sayon, que reconheci de nome porque havia acabado de me adicionar no Twitter. Conheci pessoalmente o Alexandre Formagio, que organizou o evento com muita vontade. Já o conhecia da lista de AI e do blog dele, mas pessoalmente ainda não.

No Slide Share já dá para encontrar a maior parte das apresentações que os palestrantes usaram no evento, inclusive na página do usuário oficial do SMBR. Filmaram tudo, mas não sei dizer se será liberado online ou não.

Pelo Twitter, seguindo a tag #smbr dá para ver tudo que o pessoal comentou de lá mesmo, apesar dos problemas com o WIFI. Aliás, o WIFI foi o único problema da organização em si. A galera protestou e tal, mas nada que estragasse a experiência toda. Aliás, rolou um divertido Twitter de papel para os sem-notebook. O evento teve vasta cobertura fotográfica no Flickr, pela tags smbr, socialmediabr e social media brasil.

A escolha dos palestrantes foi bem abrangente, os painéis foram bem estruturados e o que não saiu legal foi mais por conta de cada palestrante. Uma coisa muito reclamada lá era sobre o excesso de jabás. Tanto que alguns palestrantes do sábado cortaram cases das apresentações com receio das críticas, mas quando havia um aprendizado a se compartilhar com o case, não havia tanto problema. Acho que as reclamações rolaram quando era só exibissionismo barato, mas não achei que nada tenha sido tão exagerado assim como os comentários no Twitter levam a crer.

O Edney abriu a sexta-feira falando de números e ética online, foi conciso e bastante direto, com comentários bem colocados e uma postura bem pé no chão. No sábado quem abriu foi o Wagner Fontoura (Boombust/Riot), que deu o recado: “Não vou tentar explicar para este público o que é midia social, presumo que vocês já saibam.”

Faltou este bom senso no fechamento da sexta-feira e no encerramento do evento. As 2 apresentações de fechamento em ambos os dias foram bem fracas, deixando a sensação de que se podia ter passado sem elas. O Edney, curiosamente, participou como convidado no fechamento do sábado, mas não conseguiu salvar a lavoura. Até entendi a intenção do Juliano, mas a postura que ele tomou para se apresentar foi muito ruim. A moça ao meu lado não parava de comentar “Meu Deus, que terrível!”. No fim das contas foi tão bizarro que ficou até engraçado, mas quem levou a sério ficou sem entender onde ele realmente queria chegar. Como dizia a letra do Offspring, tem horas em que você tem de tirar os sapatos, encostar e relaxar! (ouça “Time to Relax” na Maestro.fm ou no próprio site da banda)

No sábado à tarde o Marcelo Tripoli fez uma palestra muito boa, uma das melhores do evento. O cara estava com a voz rouca por conta de uma gripe mas se esforçou para manter o ritmo até o final e fez o auditório cair na risada com alguns vídeos que fizeram história, alguns bem conhecidos outros nem tanto.

Listei os 4 vídeos no Youtube, vale a pena ver:

Na sexta-feira o Gustavo Fortes da Espalhe deu um recado muito bem dado, que não é novo, mas não deixa de ser importante frisar: “mídia social não é viralzinho”. Após o almoço o Ian Black fez uma apresentação que começou fraca mas terminou supreendendo a todos pela discussão ao final, com grande participação da platéia. Caso da Dona Lu na Wunderman foi divertido.

No sábado, o Roberto aLoureiro apresentou o case da Tecnisa em redes sociais, um dos mais sólidos exemplos nacionais de uso da internet com consciência e maturidade. Boas lições e pé no chão: “Experimentamos e temos maturidade para admitir quando erramos”. Ele contou sobre o caso do atendimento na madrugada, que foi criado para estudar uma demanda reprimida e descontinuado com a chegada da “crise” no final de 2008.

Agora, momento #FAIL absoluto do evento foi a apresentação da Performance Media. Não por ter chamado o Doodle da final da UEFA de “Froogle”, que isso foi detalhe mínimo, mas por estar boiando completamente sobre tudo que estava em discussão ali. Como assim vender links patrocinados para blogueiros divulgarem seus blogs? De que adiantou ser patrocinador ouro do evento e subir ali para queimar o filme? Qualquer um pode ficar nervoso ao falar em público, mas ali foi demais. Vi mais gente comentando isso no intervalo, mas só 1 comentário no Twitter. Pelo jeito pouca gente estava prestando atenção porque era momento jabá.

No geral, o evento foi bom. Faltou mais conteúdo, mas valeu a pena. Quem não foi pode ver as apresentações online, porque quem foi tá twittando e blogando até agora.

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Este vídeo de Michael Wesch, professor de Antropologia Cultural na Univesidade do Kansas, não é novidade. Já foi largamente comentado e linkado em dezenas de sites e blogs, além de usar usado em salas de aula em tudo que é canto.

Por usar um ponto de vista antropológico é que foge do lugar comum tecnológico, dando esse ar de genialidade para a forma como explica a web 2.0 (e a web em geral). Vale ler a entrevista com Wesch sobre este vídeo no blog do John Batelle.

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Tim Berners-Lee comenta rapidamente alguns princípios da web semântica: informação combinada, limpa e fatiada. Vídeo com legenda em português.

Via: Blog Linky

Apesar de achar que algumas das estatísticas usadas são altamente questionáveis, ainda assim a proposição vale, e vale muito! Questionar como estamos interagindo, educando e nos preparando para um mundo que mudou muito rápido e não vai parar de mudar é uma discussão essencial.

Um convite para pensar em tudo isso durante 2008, no último post do ano. Feliz 2008!

Via: Gil Giardelli

Elliot Jay Stocks fez uma apresentação criticando a estética 2.0 no Future Of Web Design, que rolou em Nova Iorque, em novembro último. Elliot separou diferentes elementos comumente usados no webdesign e comentou a falta de criatividade que assola muitos designers. É óbvio que a crítica gerou comentários aflamados de partidários da causa da criatividade e daqueles que amam a estética 2.0. Até o momento, há 104 comentários em seu blog sobre a apresentação.

Não há nada de errado em usar elementos gráficos comuns em larga escala, diria até que isso contribui para a usabilidade do site, porque facilita reconhecer o que é um menu, o que é um botão, o que é um banner. O alvo da crítica é o uso massante, repetitivo e indiscriminado destes elementos, inclusive quando o cliente insisite querer “um look tipo web 2.0, entendeu?”.

A própria discussão sobre “criatividade” costuma ser entremeada de afetividade, argumentos evasivos e paixonites estéticas. Não é incomum ouvir que os designers só querem fazer coisas estéticamente lindas mas pouco funcionais e que analistas de usabilidade são engenheiros que abominam o bom design. Nem lá nem cá. É possível fazer um site lindo e funcional. Aliás, nossa obrigação profissional é essa.

A crença de que o que é inovador não é funcional é tolice. Só testando para saber. Já a tendência de relacionar usabilidade a engenheria vem do fato do Jakozão (Nielsen, para quem não pegou a piada) se entitular “Engenheiro de Usabilidade” e manter um dos sites com melhor conteúdo e pior visual já vistos, o seu UseIt.

Como o próprio sócio do Nielsen, Don Norman coloca com propriedade: se a questão for abordada como um problema de design, toda a névoa desaparece e o foco vai para o usuário. Daí, se o design gráfico resultante tiver uma estética 2.0, sem dúvida será plenamente justificável e contribuirá com uma boa experiência de uso. Mas…

Como uma boa polêmica nunca sai de moda, vale conferir, via SlideShare:

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